
Itamaraty destaca necessidade de negociações de boa-fé para consolidar confiança entre Washington e Teerã após memorando de entendimento assinado na França.
O governo brasileiro manifestou satisfação com o recente acordo firmado entre Estados Unidos e Irã, ressaltando a importância do respeito aos termos pactuados e o fim das ações militares que têm agravado o conflito no Oriente Médio.
Nesta quinta-feira (18), o Ministério das Relações Exteriores do Brasil divulgou uma nota oficial na qual expressa sua satisfação com a assinatura do memorando de entendimento entre os Estados Unidos e o Irã, documento que visa encerrar o conflito iniciado em fevereiro deste ano. O acordo, firmado na França, estabelece 14 pontos principais, incluindo a suspensão das sanções econômicas, o fim do bloqueio a embarcações iranianas e a garantia de trânsito livre pelo estreito de Ormuz, passagem estratégica para cerca de 20% do petróleo mundial.
O conflito teve início em 28 de fevereiro, quando uma ofensiva conjunta dos Estados Unidos e Israel resultou na morte do líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, desencadeando uma escalada de hostilidades entre os países. Em resposta, o Irã adotou medidas como o fechamento temporário do estreito de Ormuz, impactando o mercado global de petróleo e elevando os preços do barril.
Na nota, o Itamaraty enfatiza a importância do cumprimento rigoroso dos termos acordados e apela para a cessação completa das hostilidades em todas as frentes, incluindo o Líbano, região também afetada pelo conflito. O governo brasileiro ressalta que a única via para a resolução definitiva das tensões é o diálogo diplomático, que deve ser conduzido com boa-fé para fortalecer a confiança mútua entre as partes envolvidas.
“O Brasil exorta as partes a aderirem estritamente aos termos acordados e apela para a completa cessação das hostilidades, assim como para o engajamento contínuo em negociações de boa-fé”, afirma o comunicado.
Ao longo dos últimos meses, representantes dos Estados Unidos e do Irã realizaram diversas rodadas de negociação, muitas vezes marcadas por impasses e ameaças mútuas, o que dificultou o avanço para um acordo. A assinatura do memorando representa um passo importante para a pacificação da região, mas o Brasil reforça que a implementação efetiva do documento é essencial para garantir a estabilidade.
Em fevereiro, logo após o início do conflito, o Ministério das Relações Exteriores brasileiro já havia condenado o ataque americano, manifestando grave preocupação com a escalada e destacando a necessidade de proteção a civis e infraestruturas civis. Na ocasião, o governo brasileiro alertou para os riscos de prejudicar as negociações em curso e pediu a contenção das hostilidades.
Com o acordo firmado, o Brasil mantém sua postura de apoio à diplomacia como caminho para a paz e reafirma a importância do respeito aos compromissos assumidos por Washington e Teerã para evitar novos confrontos e promover a estabilidade no Oriente Médio.
Contexto
O conflito entre Estados Unidos e Irã teve início em fevereiro de 2026, após uma ofensiva conjunta que resultou na morte do líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei. A escalada do conflito causou impactos econômicos globais, especialmente devido ao fechamento do estreito de Ormuz pelo Irã, rota vital para o transporte de petróleo. As negociações para um acordo de paz foram complexas e prolongadas, culminando na assinatura do memorando de entendimento na França, que busca estabelecer um cessar-fogo e a normalização das relações entre os dois países.