TSE analisa recursos de Cláudio Castro após inelegibilidade decretada até 2030
Decisão do TSE pode influenciar definição sobre eleições diretas ou indiretas para sucessão no governo do Rio
Decisão do TSE pode influenciar definição sobre eleições diretas ou indiretas para sucessão no governo do Rio
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) realiza nesta terça-feira (2) o julgamento dos recursos apresentados pelo ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), contra a decisão que o tornou inelegível até 2030 por abuso de poder político e econômico nas Eleições Gerais de 2022.
Em março deste ano, o TSE declarou a inelegibilidade de Cláudio Castro, após comprovar irregularidades envolvendo abuso de poder político e econômico, condutas vedadas e captação ilícita de recursos durante a campanha eleitoral de 2022. A decisão levou à renúncia de Castro ao cargo de governador do Rio de Janeiro, ocorrida na véspera da cassação. Desde então, o ex-governador foi alvo de duas operações da Polícia Federal e desistiu de concorrer ao Senado nas eleições de outubro. Nesta terça-feira, o TSE julgará três recursos: um do Ministério Público Eleitoral (MPE), outro da defesa de Cláudio Castro e um terceiro do ex-deputado estadual Rodrigo Bacellar, que teve seu mandato cassado. O MPE solicita que o tribunal reconheça a cassação do diploma de Castro, além da cassação do mandato, argumentando que a renúncia não impede a perda do diploma, que é a sanção prevista para abuso de poder político e econômico. Segundo o Ministério Público, aceitar que a renúncia blinde o político seria criar um mecanismo de proteção indevido. Caso essa tese seja aceita, a vacância do cargo de governador seria considerada eleitoral, o que demandaria a realização de eleições diretas para a escolha do sucessor. Atualmente, o Supremo Tribunal Federal (STF) aguarda a conclusão do julgamento no TSE para decidir se a sucessão no governo do Rio será por eleição direta, com voto popular, ou indireta, pela Assembleia Legislativa do Estado (Alerj). Em abril, o STF determinou que o presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, Ricardo Couto, assuma interinamente o governo até a definição do modelo eleitoral. O julgamento no Supremo está suspenso devido a pedido de vista do ministro Flávio Dino. Até o momento, quatro ministros votaram a favor da eleição indireta, enquanto o ministro Cristiano Zanin defende o voto direto, alegando que a renúncia de Castro visou evitar a cassação e manter o grupo político no poder. No âmbito dos recursos da defesa, os advogados de Cláudio Castro questionam a ausência de provas diretas que comprovem sua participação nas irregularidades apontadas, pedindo a anulação do julgamento original e um novo processo com garantia de ampla defesa. A defesa de Rodrigo Bacellar também argumenta que não há provas claras de sua ligação com os abusos eleitorais reconhecidos pelo TSE. O desfecho do julgamento no TSE é fundamental para que o STF retome a análise das ações que definirão o formato das eleições para o mandato-tampão no Rio de Janeiro.
Contexto
A inelegibilidade de Cláudio Castro foi decretada em março de 2026 pelo Tribunal Superior Eleitoral, que constatou abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022. A decisão gerou questionamentos sobre o processo sucessório no governo do Rio de Janeiro, com ações no Supremo Tribunal Federal para definir se a escolha do novo governador será por voto direto ou indireto. O cenário político local é marcado por investigações da Polícia Federal e disputas judiciais que envolvem atores importantes do estado, como o ex-governador e o ex-deputado estadual Rodrigo Bacellar.