Política Nacional

Lula evita participar da Marcha para Jesus para não usar fé com fins políticos

Em ligação ao bispo Estevam Hernandes, Lula explicou que não quer vincular a religião à disputa eleitoral de outubro.

Em ligação ao bispo Estevam Hernandes, Lula explicou que não quer vincular a religião à disputa eleitoral de outubro.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu não comparecer à Marcha para Jesus realizada em 4 de junho, em São Paulo, para evitar que sua participação fosse interpretada como tentativa de obter vantagem política a partir da fé religiosa, conforme afirmou em conversa telefônica com o bispo Estevam Hernandes.

Na quinta-feira, 4 de junho, feriado de Corpus Christi, milhares de fiéis se reuniram na 34ª edição da Marcha para Jesus em São Paulo. Embora o evento tenha contado com a presença de diversas autoridades políticas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva optou por não participar. Em uma ligação telefônica divulgada nas redes sociais do advogado-geral da União, Jorge Messias, que esteve presente representando Lula, o presidente explicou sua decisão diretamente ao bispo Estevam Hernandes. “Eu não participo de nada religioso em época de eleição porque não quero passar a ideia de que estou tentando tirar proveito político de algo sagrado”, declarou Lula. O presidente é pré-candidato à reeleição nas eleições presidenciais de outubro de 2026. Por outro lado, o senador e também pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL), o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e o prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes, estiveram presentes no evento. Eles acompanharam a marcha do alto de um trio elétrico que partiu da estação da Luz, no centro da cidade, até a Praça Heróis da Força Expedicionária Brasileira (FEB), na Zona Norte. Durante o percurso, Flávio Bolsonaro discursou para os participantes, afirmando que o Brasil enfrenta uma “guerra espiritual” e que o “mal será expulso do governo” neste ano. Após a caminhada, a programação seguiu com apresentações de artistas renomados da música gospel, como Gabriela Rocha, Aline Barros, Renascer Praise, Thalles Roberto e Isadora Pompeo, com shows previstos até as 21h. Vale destacar que em setembro de 2009, durante seu primeiro mandato, Lula sancionou a lei que instituiu o Dia Nacional da Marcha para Jesus, oficializando a data no calendário nacional. A Marcha para Jesus é um evento tradicional que reúne milhares de fiéis e políticos em São Paulo, simbolizando a expressão pública da fé evangélica no país.

Contexto

A Marcha para Jesus é um dos maiores eventos religiosos do Brasil, reunindo anualmente milhões de participantes em diversas cidades. Instituída oficialmente como data nacional em 2009, a marcha tem sido palco frequente para manifestações políticas, especialmente em anos eleitorais. A decisão de Lula de não participar em 2026 reflete uma preocupação em separar a fé da política, enquanto adversários aproveitam a ocasião para se aproximar do público evangélico, um segmento eleitoral significativo.

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