Relatório médico aponta aumento de soluços em Bolsonaro durante prisão domiciliar
Ex-presidente cumpre prisão domiciliar após condenação por tentativa de golpe de Estado e enfrenta complicações de saúde
Ex-presidente cumpre prisão domiciliar após condenação por tentativa de golpe de Estado e enfrenta complicações de saúde
O ex-presidente Jair Bolsonaro apresentou uma frequência acima do normal de episódios de soluços na última semana, conforme relatório médico encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF). O documento detalha ainda o quadro clínico atual do político, que cumpre prisão domiciliar provisória desde março após ser condenado a mais de 27 anos de prisão por tentativa de golpe.
De acordo com o boletim médico datado de 5 de junho, Bolsonaro tem apresentado uma recorrência acima da média de singulto, termo médico para soluços, nos últimos sete dias. Para controlar os sintomas, ele está em uso de doses elevadas de medicações específicas e segue uma dieta rigorosa com baixo teor de acidez. O relatório também destaca que o ex-presidente passou por uma cirurgia no ombro direito no início de maio, realizada em Brasília, e que apresenta desconforto ao realizar movimentos de flexão e abdução no local.
Além disso, o documento informa que a pressão arterial de Bolsonaro está controlada, porém ele mantém instabilidade crônica do equilíbrio corporal, o que exige medidas preventivas para evitar quedas. A ausculta pulmonar revela alteração residual na base do pulmão esquerdo, que permanece inalterada desde a última avaliação. Do ponto de vista cardiológico, o paciente está estável, queixando-se apenas de cansaço leve e fadiga ao realizar esforços moderados.
Bolsonaro foi condenado pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal a 27 anos e três meses de prisão por sua participação na tentativa de golpe de Estado. Inicialmente, ele cumpriu a pena no batalhão da Polícia Militar conhecido como Papudinha, em Brasília, mas desde o final de março está em prisão domiciliar provisória, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes. A decisão foi tomada após pedido dos advogados do ex-presidente e parecer favorável da Procuradoria-Geral da República.
O ministro Alexandre de Moraes estabeleceu condições rigorosas para o cumprimento da prisão domiciliar, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica, proibição de uso de celulares, acesso a redes sociais e gravação de áudios ou vídeos. As visitas são restritas aos filhos, advogados e médicos previamente autorizados pela Justiça, sendo proibido o uso de celulares durante essas visitas.
Em maio, o Congresso Nacional promulgou a chamada Lei da Dosimetria, que prevê a redução de penas para condenados por atentados golpistas, incluindo Bolsonaro e seus aliados, relacionados aos ataques de 8 de janeiro de 2023. No entanto, a Advocacia-Geral da União (AGU) entrou com pedido para suspender e declarar a lei inconstitucional. O ministro Alexandre de Moraes suspendeu a aplicação da norma até que o Supremo Tribunal Federal analise as ações que questionam sua validade.
Contexto
A prisão domiciliar de Jair Bolsonaro ocorre em meio a um processo judicial histórico que envolve a tentativa de golpe de Estado em 2023. A Lei da Dosimetria, aprovada recentemente, busca flexibilizar penas para envolvidos em atos golpistas, mas enfrenta contestação judicial. O acompanhamento médico constante reflete a preocupação com a saúde do ex-presidente durante o cumprimento da pena em regime domiciliar.