Lula reúne empresários em meio a ameaça tarifária dos EUA e reforça defesa da soberania nacional
Encontro do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social Sustentável ocorre no Itamaraty com foco em soberania e multilateralismo diante de tensões comerciais.
Encontro do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social Sustentável ocorre no Itamaraty com foco em soberania e multilateralismo diante de tensões comerciais.
Em meio à possibilidade de tarifas americanas de até 37,5% sobre produtos brasileiros, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reúne com empresários e representantes da sociedade civil para discutir políticas públicas e estratégias de desenvolvimento sustentável.
Nesta quarta-feira (10), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou da primeira reunião anual do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social Sustentável, conhecido como “Conselhão”, no Palácio do Itamaraty, em Brasília. O encontro reuniu empresários de diversos setores, ministros e representantes da sociedade civil para debater temas ligados à soberania nacional e ao protagonismo global do Brasil, em um momento delicado marcado pela ameaça de imposição de tarifas comerciais pelos Estados Unidos. As tarifas propostas pelo governo americano, liderado por Donald Trump, podem alcançar até 37,5% sobre produtos brasileiros, caso sejam implementadas, o que preocupa setores da economia nacional. Criado em 2003, o Conselhão tem como objetivo discutir e sugerir políticas públicas em variadas áreas, promovendo o diálogo entre governo, iniciativa privada e sociedade civil. A reunião deste ano foi aberta pelo ministro das Relações Institucionais, José Guimarães (PT), seguida por discursos de conselheiros, com o presidente Lula encerrando a abertura. Segundo auxiliares do Palácio do Planalto, o presidente reforçou a importância da defesa da soberania nacional e do multilateralismo no cenário internacional. Além disso, foram apresentados os resultados dos trabalhos do colegiado desde sua reconstituição em 2023, após ter sido extinto durante o governo de Jair Bolsonaro (PL). Na parte da tarde, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) participou de um painel com autoridades e conselheiros para discutir a agenda internacional e buscar caminhos convergentes para o desenvolvimento econômico, social e sustentável do país. Durante o encontro, também foi lançada a cartilha “Manual Mulheres Protegidas”, elaborada por membros do Conselhão para orientar políticas públicas de prevenção e combate ao feminicídio. O material destaca a importância da prevenção ativa e da proteção baseada em risco, ressaltando que a maioria dos casos apresenta sinais prévios, como violência psicológica, ameaças e descumprimento de medidas protetivas. Raimunda Monteiro, secretária-executiva do Conselhão, ressaltou que o colegiado cresceu e hoje conta com 280 integrantes, representando a diversidade da sociedade civil brasileira. Ela destacou a relevância do Conselho para articular pautas importantes dentro do governo, citando exemplos como a contribuição para a lei do mercado regulado de carbono, políticas para a primeira infância, recuperação de áreas degradadas, economia circular, transição energética e produção de biocombustíveis. Este foi o sétimo encontro do Conselhão desde sua reinstalação em 2023, reforçando o compromisso do governo em promover a participação social e enfrentar desafios econômicos e sociais em um cenário global complexo.
Contexto
O Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social Sustentável, conhecido como Conselhão, foi criado em 2003 para fomentar o diálogo entre governo, empresários e sociedade civil na formulação de políticas públicas. Extinto durante o governo Bolsonaro, foi reativado em 2023, ampliando sua representatividade para 280 membros. Atualmente, o Brasil enfrenta pressões comerciais dos Estados Unidos, que ameaçam impor tarifas elevadas sobre produtos brasileiros, o que pode impactar a economia nacional. O Conselhão atua como espaço para debater estratégias que promovam o desenvolvimento sustentável e a defesa da soberania nacional, além de abordar questões sociais relevantes, como o combate ao feminicídio.