
Negociações comerciais entre Brasil e EUA ganham nova chance durante cúpula do G7 na França
Diplomatas brasileiros acreditam que um encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, durante a cúpula do G7 na França, pode destravar as negociações e evitar a imposição de novas tarifas americanas contra o Brasil.
O governo brasileiro aposta em um possível encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante a próxima cúpula do G7, que ocorrerá na França. A expectativa é que esse diálogo direto possa reverter a recomendação recente do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) para a aplicação de tarifas contra o Brasil. Nos últimos meses, o USTR sugeriu a imposição de taxas sobre produtos brasileiros, alegando práticas econômicas desleais, com foco em temas como o sistema de pagamentos instantâneos PIX, o setor de etanol, o combate ao desmatamento e a proteção da propriedade intelectual. Essa recomendação, baseada na Seção 301 da lei comercial americana, ainda não foi implementada, mas gerou preocupação no governo brasileiro. Desde julho de 2025, quando a investigação comercial foi aberta, representantes dos dois países mantiveram diversas conversas técnicas por telefone, videoconferência e reuniões presenciais em Washington. Durante esses encontros, o Brasil apresentou dados oficiais para comprovar seus esforços no combate ao desmatamento ilegal e esclareceu dúvidas sobre os temas levantados pelos EUA. No entanto, diplomatas brasileiros avaliam que esses argumentos técnicos não foram devidamente considerados pelo lado americano, o que tem dificultado o avanço das negociações. Apesar de não ser membro do G7, o presidente Lula foi convidado pelo anfitrião da edição deste ano, o presidente francês Emmanuel Macron, para participar da cúpula. Lula e Trump já tiveram encontros anteriores, como na Malásia em outubro de 2025, em Washington em maio deste ano, e uma breve conversa na Assembleia Geral da ONU no ano passado. No Planalto, há a percepção de que, diante da estagnação das conversas técnicas no USTR, um encontro pessoal entre os dois líderes pode ser o caminho para resolver a questão. Paralelamente, o Congresso Nacional brasileiro aprovou a chamada Lei da Reciprocidade, que autoriza o Brasil a aplicar medidas equivalentes caso algum parceiro comercial adote barreiras que prejudiquem a economia nacional. Embora o governo tenha divulgado comunicados mencionando essa lei, o Itamaraty sinaliza que a prioridade será manter o diálogo político e diplomático, considerando que os Estados Unidos são o segundo maior parceiro comercial do Brasil, atrás apenas da China. A adoção da Lei da Reciprocidade poderia impactar negativamente o comércio bilateral e a economia brasileira, motivo pelo qual o governo prefere evitar uma escalada nas tensões comerciais.
Contexto
A tensão comercial entre Brasil e Estados Unidos tem se intensificado desde julho de 2025, quando o governo americano iniciou uma investigação baseada na Seção 301 da lei comercial dos EUA, visando avaliar práticas brasileiras consideradas desleais. O foco principal das discussões envolve o sistema de pagamentos PIX, o mercado de etanol, medidas de combate ao desmatamento e questões relacionadas à propriedade intelectual. O Brasil tem buscado demonstrar, por meio de dados oficiais, seus esforços para combater o desmatamento ilegal e garantir a transparência nas políticas econômicas. A Lei da Reciprocidade, aprovada recentemente pelo Congresso Nacional, surge como um instrumento de defesa comercial, mas o governo brasileiro prefere priorizar o diálogo direto para preservar a relação econômica com os Estados Unidos, um dos principais parceiros comerciais do país.