Política Nacional

Gilmar Mendes apoia Dario Durigan contra pautas-bomba que ameaçam finanças públicas

Decano do STF alerta para inconstitucionalidade de projetos que aumentam gastos públicos sem indicar origem dos recursos

Decano do STF alerta para inconstitucionalidade de projetos que aumentam gastos públicos sem indicar origem dos recursos

O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), manifestou apoio ao ministro da Fazenda, Dario Durigan, na oposição às chamadas pautas-bomba que tramitam no Congresso Nacional, especialmente no Senado. Mendes ressaltou que a aprovação de despesas sem a indicação clara da fonte de custeio fere a Constituição e pode comprometer a estabilidade fiscal do país.

Nos últimos dias, o ministro Gilmar Mendes intensificou suas críticas às pautas-bomba, projetos que geram aumento significativo de gastos públicos sem previsão de recursos para cobri-los. Ele destacou que a Constituição, especialmente após a Emenda Constitucional 128 de 2022, exige que qualquer nova despesa pública seja acompanhada da demonstração da fonte de custeio. Apesar dos alertas do STF e das manifestações contrárias do ministro da Fazenda, Dario Durigan, o Senado aprovou na quarta-feira (10) três pautas-bomba que podem impactar as contas públicas em mais de R$ 200 bilhões nos próximos dez anos.

Entre as medidas aprovadas está a renegociação das dívidas de produtores rurais, que pode custar cerca de R$ 140 bilhões à União na próxima década. Além disso, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) aprovou a aposentadoria integral com paridade para agentes públicos, estimada em R$ 30 bilhões, e o aumento do piso salarial para médicos e cirurgiões-dentistas, com impacto de R$ 47 bilhões. Esses projetos ainda precisam ser analisados pela Câmara dos Deputados, onde o governo federal pretende barrar a votação. Caso sejam aprovados, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sinalizou que irá vetá-los, e o Executivo considera recorrer ao STF para contestar a constitucionalidade das medidas.

Em entrevista ao Blog do Valdo Cruz, Gilmar Mendes sugeriu que o governo acione a Advocacia-Geral da União (AGU) para ingressar com ações no Supremo contra essas pautas-bomba. O ministro reforçou que a ausência de estudos prévios sobre o impacto financeiro dos projetos legislativos configura inconstitucionalidade, o que pode levar à invalidação das normas aprovadas.

Gilmar Mendes também alertou para os riscos macroeconômicos decorrentes da aprovação dessas pautas, ressaltando que o Brasil pode enfrentar inflação elevada combinada com baixo crescimento econômico, cenário que ameaça a governabilidade e a estabilidade política. Ele enfatizou a importância da responsabilidade fiscal como base para o desenvolvimento sustentável e a manutenção da economia de mercado.

O ministro concluiu destacando a necessidade de o Congresso Nacional cumprir rigorosamente as regras constitucionais, demonstrando o custo e a origem dos recursos antes de aprovar novos gastos. A jurisprudência do STF é clara ao invalidar medidas legislativas que não observam esses requisitos, reforçando a importância do equilíbrio fiscal para o país.

Contexto

Desde a aprovação da Emenda Constitucional 128 em 2022, que reforçou a obrigatoriedade de indicação da fonte de custeio para novas despesas públicas, o Supremo Tribunal Federal tem atuado para coibir a aprovação de pautas-bomba no Congresso Nacional. Essas pautas são projetos que aumentam gastos sem previsão de recursos, colocando em risco a saúde fiscal do país. O debate ganhou destaque com a recente aprovação de medidas no Senado que podem comprometer as finanças públicas em mais de R$ 200 bilhões nos próximos dez anos, em um momento em que o governo federal busca manter o equilíbrio fiscal e a estabilidade econômica.

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