Política Nacional

Pesquisa Quaest de junho mostra Lula ampliando vantagem sobre Flávio Bolsonaro no 2º turno

Primeira pesquisa após revelação de áudios entre Flávio Bolsonaro e banqueiro aponta mudança no cenário eleitoral e melhora na aprovação do governo Lula.

Primeira pesquisa após revelação de áudios entre Flávio Bolsonaro e banqueiro aponta mudança no cenário eleitoral e melhora na aprovação do governo Lula.

A pesquisa Quaest divulgada em junho de 2026 indica que o presidente Lula ampliou sua vantagem sobre o senador Flávio Bolsonaro em uma simulação de segundo turno, refletindo o impacto negativo do caso Master e a recuperação da popularidade do governo diante de medidas econômicas recentes.

O levantamento realizado pela consultoria Quaest e divulgado em 10 de junho de 2026 mostra que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pré-candidato à reeleição, abriu uma diferença de seis pontos percentuais sobre Flávio Bolsonaro (PL) em um cenário de segundo turno. Lula aparece com 44% das intenções de voto, enquanto o senador registra 38%. Em maio, a disputa estava tecnicamente empatada, com 42% para Lula e 41% para Flávio Bolsonaro, considerando a margem de erro de dois pontos percentuais.

Entre os eleitores independentes, que correspondem a aproximadamente um terço do eleitorado, Lula avançou de 29% para 37%, enquanto Flávio recuou de 31% para 24%. Segundo Felipe Nunes, diretor da Quaest, essa migração foi a mudança mais significativa do período, evidenciando uma troca de apoio dos independentes do senador para o presidente.

O levantamento aponta que o episódio conhecido como caso Master, que expôs conversas entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, sobre o financiamento do filme “Dark Horse” — uma biografia do ex-presidente Jair Bolsonaro — prejudicou a imagem do senador. Cerca de 65% dos entrevistados consideram que Flávio agiu de forma errada ao solicitar recursos ao banqueiro, e 58% acreditam que o caso sugere algum envolvimento ilegal.

A pesquisa também aborda a controvérsia sobre as novas tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. Quase metade dos entrevistados (47%) concorda com a versão do presidente Lula de que Flávio Bolsonaro teria solicitado o aumento tarifário diretamente ao então presidente Donald Trump. Em contrapartida, 35% apoiam a negação do senador. Além disso, 53% dos brasileiros avaliam negativamente as consequências dessas tarifas para a economia nacional.

No debate sobre as motivações das tarifas, 46% dos entrevistados aceitam a explicação do governo Lula de que as medidas americanas foram uma retaliação ao sistema de pagamentos PIX, enquanto 36% concordam com a justificativa de Flávio Bolsonaro, que atribui as tarifas a críticas diplomáticas do Brasil. Esse resultado demonstra maior respaldo à narrativa do Planalto em um tema sensível para o público.

Outro ponto abordado pelo levantamento é a opinião sobre a classificação do Comando Vermelho (CV) e do Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas. Sessenta por cento dos brasileiros defendem essa classificação, mas o apoio diminui para 45% quando a iniciativa parte do governo dos Estados Unidos, reforçando críticas do presidente Lula sobre interferência externa.

No cenário da chamada terceira via, a disputa permanece fragmentada e sem um nome consolidado. Renan Santos, fundador do MBL e pré-candidato pelo partido Missão, lidera numericamente com 3% das intenções de voto, empatado tecnicamente com o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) e o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo). O ex-governador Aécio Neves (PSDB), incluído pela primeira vez na pesquisa, também aparece com 2%, dentro da margem de erro.

A avaliação do governo Lula apresentou melhora, com 47% de aprovação e 48% de desaprovação, reduzindo a diferença para apenas um ponto percentual, ante nove pontos de desvantagem registrados em abril. Essa recuperação está associada a medidas econômicas recentes, como o programa Desenrola, que diminuiu o percentual de brasileiros muito endividados de 28% para 23%, e o aumento da parcela da população sem dívidas para 30%.

Outras ações bem avaliadas incluem a ampliação da isenção do Imposto de Renda e as políticas para redução do preço dos combustíveis, aprovadas por 53% dos entrevistados.

No cenário de primeiro turno, Lula mantém liderança isolada com 39% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro aparece em segundo lugar com 29%, abaixo dos 33% registrados em maio. O senador perdeu apoio entre eleitores de direita não bolsonaristas, embora continue a contar com a maioria dos votos entre os bolsonaristas.

Em resumo, a pesquisa Quaest de junho revela um cenário eleitoral mais favorável a Lula, com o desgaste de Flávio Bolsonaro após o caso Master e as disputas sobre tarifas internacionais, além de uma recuperação da popularidade do governo impulsionada por medidas econômicas recentes.

Contexto

A pesquisa Quaest de junho de 2026 é a primeira realizada após a divulgação de áudios entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, que geraram repercussão negativa para o senador. O levantamento também ocorre em meio à imposição de tarifas americanas sobre produtos brasileiros, tema que tem sido explorado na disputa eleitoral. O cenário mostra uma polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro, com a terceira via ainda sem consolidar um candidato competitivo. As medidas econômicas do governo Lula, como o programa Desenrola e a ampliação da isenção do Imposto de Renda, influenciam positivamente a avaliação do presidente.

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