Polícia Federal recusa segunda proposta de delação premiada de Daniel Vorcaro no Caso Master
Banqueiro segue preso em Brasília enquanto investigações apontam envolvimento em fraudes, corrupção e organização criminosa
Banqueiro segue preso em Brasília enquanto investigações apontam envolvimento em fraudes, corrupção e organização criminosa
A Polícia Federal recusou pela segunda vez a proposta de delação premiada apresentada pelo banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, que está preso em Brasília sob acusação de comandar um esquema bilionário de fraudes financeiras estimado em até R$ 12 bilhões.
Daniel Vorcaro permanece detido na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, onde cumpre prisão preventiva por suspeita de liderar um complexo esquema de fraudes financeiras. A Polícia Federal rejeitou recentemente a segunda proposta de delação premiada apresentada pelo banqueiro, alegando que o material fornecido pela defesa não trouxe informações relevantes além do que já foi apurado nas investigações. A Procuradoria-Geral da República (PGR) também deve negar o acordo, uma vez que não foram apresentadas novas provas que possam colaborar com o avanço do caso.
Vorcaro foi inicialmente transferido da Penitenciária Federal de Brasília para a Superintendência da PF no dia 19 de março, após manifestação do seu advogado sobre o interesse em firmar um acordo de colaboração. Desde então, a defesa finalizou os anexos da delação e entregou o conteúdo às autoridades, mas o material não convenceu os investigadores. A Polícia Federal tem apontado que o banqueiro aparenta tentar proteger pessoas próximas, o que dificulta a obtenção de informações que possam desmantelar o esquema.
As investigações revelam que o suposto esquema liderado por Vorcaro ultrapassa fraudes financeiras, envolvendo ainda corrupção, organização criminosa e o uso de uma milícia privada para intimidar adversários e acessar dados sigilosos. Durante as apurações, foram apreendidos mais de oito celulares do acusado, e a perícia inicial já indicou a complexidade do caso.
Em abril, a PF determinou a transferência de Vorcaro para uma cela comum na Superintendência, submetendo-o às regras internas da corporação, incluindo as condições para visitas de advogados. Antes, ele estava em uma sala com padrão similar ao “Estado-maior”, local onde também esteve preso o ex-presidente Jair Bolsonaro entre novembro de 2025 e janeiro de 2026.
O Caso Master ganhou repercussão nacional por envolver valores bilionários e figuras do setor financeiro. A Polícia Federal estima que as fraudes possam atingir até R$ 12 bilhões, configurando um dos maiores esquemas investigados no país nos últimos anos. A recusa da delação premiada representa um obstáculo para as autoridades, que buscam desarticular a rede criminosa e responsabilizar todos os envolvidos.
Contexto
O Caso Master refere-se a uma investigação conduzida pela Polícia Federal que apura um esquema bilionário de fraudes financeiras supostamente liderado por Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. O inquérito envolve suspeitas de corrupção, organização criminosa e uso de milícia para fins ilícitos, com prejuízos estimados em R$ 12 bilhões. Desde março de 2026, Vorcaro está preso em Brasília e tenta firmar acordo de delação premiada, que já foi rejeitado duas vezes pela PF. A PGR acompanha o caso e deve também negar a proposta devido à falta de novas evidências.