Pesquisa Quaest revela paradoxo da direita com Flávio Bolsonaro perdendo força e Lula ampliando vantagem
Levantamento aponta polarização na corrida presidencial e dificuldade da direita em consolidar um nome forte além de Flávio Bolsonaro.
Levantamento aponta polarização na corrida presidencial e dificuldade da direita em consolidar um nome forte além de Flávio Bolsonaro.
A pesquisa Quaest divulgada em 10 de junho revela um cenário complexo na política brasileira, com o presidente Lula ampliando sua vantagem nas intenções de voto enquanto o senador Flávio Bolsonaro enfrenta desgaste, e os demais nomes da direita permanecem dispersos sem conseguir capitalizar a perda de força do bolsonarista.
O mais recente levantamento realizado pela consultoria Quaest, divulgado em 10 de junho, evidencia um paradoxo no campo político da direita brasileira. Apesar do senador Flávio Bolsonaro (PL) continuar como principal representante da oposição, ele tem perdido força diante do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que ampliou sua vantagem na corrida presidencial de 2026. Segundo o diretor da Quaest, Felipe Nunes, nenhum outro nome da direita ou centro-direita conseguiu crescer de forma consistente para ocupar o espaço deixado pelo senador.
Na simulação do primeiro turno, Lula lidera com 39% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro aparece em segundo lugar, com 29%, uma diferença de dez pontos percentuais. Os demais candidatos da direita e centro-direita somam apenas 12%, indicando pulverização e falta de um nome claro para desafiar a polarização entre Lula e Flávio.
Entre esses concorrentes, Renan Santos (Missão) registra 3%, empatado com Ronaldo Caiado (PSD), e à frente de Romeu Zema (Novo). Aécio Neves (PSDB), testado pela primeira vez, aparece com 2%, mesmo percentual de Zema. Considerando a margem de erro de dois pontos percentuais, todos estão tecnicamente empatados.
Este levantamento é o primeiro após a divulgação das mensagens em que Flávio Bolsonaro solicita recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, o que gerou repercussão negativa. Segundo a pesquisa, 65% dos entrevistados consideram a atuação de Flávio no escândalo do Banco Master um erro, e 58% veem indícios de possível envolvimento irregular.
Além disso, fatores externos influenciam o cenário político, como as medidas anunciadas pelos Estados Unidos após o encontro de Flávio Bolsonaro com Donald Trump, que também impactaram a percepção dos eleitores no Brasil. Por outro lado, a melhora na avaliação do governo Lula, impulsionada por iniciativas econômicas como a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda e o programa Desenrola, contribui para a vantagem do presidente.
Felipe Nunes destaca que, apesar de Flávio Bolsonaro ser o principal nome da direita, ele não conseguiu consolidar uma liderança incontestável no campo conservador. “Ele carrega o sobrenome Bolsonaro, que garante um piso, mas também impõe um teto. Os demais nomes da direita ainda não têm força nacional suficiente nem conhecimento para substituí-lo”, explica.
Esse cenário cria um impasse: Flávio está enfraquecido para unificar a direita, e os demais candidatos são considerados fracos para ocupar esse espaço, resultando em uma direita fragmentada e sem hegemonia clara.
A análise por segmentos do eleitorado reforça essa conclusão. Entre os bolsonaristas, Flávio concentra 94% das intenções de voto, praticamente herdando o capital político do ex-presidente Jair Bolsonaro. Já entre os eleitores de direita não bolsonaristas, Flávio lidera com 59%, mas Renan Santos aparece com 11%, superando Lula (10%) e Caiado (6%).
O grupo dos eleitores independentes, considerado decisivo para o resultado final, apresenta a maior mudança. Lula lidera com 28% das intenções de voto no primeiro turno, contra 14% de Flávio Bolsonaro. Caiado e Aécio aparecem com 6% e 4%, respectivamente. No segundo turno, Lula mantém vantagem de 37% a 24%, enquanto 30% dos independentes afirmam que não votariam em nenhum dos dois.
Para Felipe Nunes, essa troca de preferência entre os independentes, que migraram de Flávio para Lula, é o principal destaque da pesquisa, indicando um enfraquecimento do bolsonarismo fora de sua base tradicional e uma consolidação da liderança do presidente Lula na disputa presidencial.
Contexto
A pesquisa Quaest de junho de 2026 é a primeira após a divulgação das mensagens envolvendo Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, que geraram repercussão negativa. O levantamento também considera o impacto das medidas políticas dos Estados Unidos após encontro de Flávio com Donald Trump, além das recentes ações econômicas do governo Lula que melhoraram sua avaliação. O cenário político brasileiro permanece polarizado, com Lula e Flávio Bolsonaro como principais nomes, enquanto a direita enfrenta dificuldades para consolidar um candidato forte e unificado.