Política Nacional

Operação Compliance Zero: Investigação Aponta Envolvimento de Jaques Wagner na Venda do Banco Master ao BRB

Senador Jaques Wagner é alvo de apurações que envolvem negociações financeiras e benefícios pessoais ligados à compra do Banco Master pelo BRB.

Senador Jaques Wagner é alvo de apurações que envolvem negociações financeiras e benefícios pessoais ligados à compra do Banco Master pelo BRB.

A 9ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em 18 de junho de 2026, mira o senador Jaques Wagner (PT-BA) e o ex-gestor do Banco Master, Augusto Ferreira Lima, em investigações sobre a venda do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB), com suspeitas de irregularidades e favorecimentos.

A Operação Compliance Zero avançou nesta quinta-feira (18) com a 9ª fase, que tem como foco principal o senador Jaques Wagner (PT-BA) e Augusto Ferreira Lima, ex-dono do Banco Pleno e ex-gestor do Banco Master. As investigações apontam que Wagner teria atuado diretamente em negociações que envolveram a venda do Banco Master ao BRB, além de supostos benefícios pessoais ligados ao negócio.

De acordo com documentos do Supremo Tribunal Federal (STF), Augusto Lima afirmou em mensagem ao senador que ele “faz parte” do processo de venda do Master ao BRB, indicando que Wagner não seria um mero receptor de informações, mas um interlocutor ativo em temas sensíveis ao grupo econômico. A operação também destaca que Augusto foi peça-chave na entrega de vantagens, coordenando desde o uso de jatos até a operacionalização financeira para aquisição de imóveis indicados por Wagner e repasses para a BN Financeira.

O balanço da gestão atual do BRB revela que entre 2024 e outubro de 2025 foram transacionados R$ 30 bilhões com o Banco Master, sendo que R$ 12,12 bilhões estão sob apuração pela Compliance Zero. Deste montante, pelo menos R$ 8,8 bilhões correspondem a títulos fraudulentos ou de difícil recuperação, configurando um possível prejuízo para o banco. O presidente do BRB durante as negociações, Paulo Henrique Costa, encontra-se preso.

As investigações indicam que Wagner teria influenciado temas legislativos relacionados ao crédito consignado, como a ampliação da margem consignável para trabalhadores da CLT, aposentados, pensionistas e beneficiários do BPC. Essa atuação teria resultado na emenda nº 30 da Medida Provisória 1.106/2022, posteriormente convertida em lei.

Além disso, o senador teria participado da articulação para aprovação da PEC 65/2023, que tratava do limite de cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). A “Emenda Master”, apresentada pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI), também está relacionada a essas negociações, com contatos frequentes entre Wagner, Augusto Lima, o empresário Daniel Vorcaro e membros do gabinete do parlamentar.

A Polícia Federal identificou que, como contrapartida à atuação de Wagner, foi adquirida uma unidade residencial no empreendimento Poème Horto, avaliada em R$ 2,4 milhões. As tratativas para essa aquisição teriam ocorrido mesmo após a deflagração da primeira fase da operação, incluindo chamadas, reuniões presenciais, videoconferências e envio de minutas contratuais.

Em entrevista concedida em maio de 2026 ao programa Estúdio i, Wagner comentou sua relação com Augusto Lima e Daniel Vorcaro, especialmente no contexto da privatização da rede estadual de supermercados Cesta do Povo, ocorrida em 2018 durante o governo Rui Costa na Bahia. O senador afirmou que as negociações foram feitas com Augusto Lima e que sua participação no processo se encerrou naquele momento. Ele ressaltou que as investigações sobre possíveis irregularidades estão sob responsabilidade da Polícia Federal.

Apesar das evidências apresentadas, o ministro relator do caso no STF, André Mendonça, não autorizou buscas e apreensões no gabinete de Jaques Wagner, alegando a necessidade de fundamentação rigorosa para medidas em dependências do Poder Legislativo. Também foram negados mandados para escritórios vinculados ao mandato do senador.

Até o momento, a assessoria de Jaques Wagner não se manifestou sobre a operação deflagrada nesta quinta-feira.

Contexto

A Operação Compliance Zero é uma investigação da Polícia Federal que apura irregularidades financeiras e corrupção envolvendo bancos e políticos. Desde sua primeira fase, a operação tem focado em desvendar esquemas fraudulentos relacionados ao Banco Master e suas transações com o Banco de Brasília (BRB). O caso ganhou repercussão nacional devido à participação de figuras políticas de destaque, como o senador Jaques Wagner, líder do governo Lula no Senado. O processo judicial tramita no Supremo Tribunal Federal, com medidas cautelares e mandados autorizados pelo ministro André Mendonça.

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