Política Nacional

Flávio Bolsonaro usa vídeo de IA para defender Neymar após crítica de Lula na Copa 2026

Senador e pré-candidato à presidência reage à fala de Lula com conteúdo digital que destaca Neymar na seleção brasileira

Senador e pré-candidato à presidência reage à fala de Lula com conteúdo digital que destaca Neymar na seleção brasileira

O senador Flávio Bolsonaro divulgou nesta quarta-feira (24) um vídeo criado por inteligência artificial que mostra um resgate fictício do atacante Neymar para a Copa do Mundo de 2026, em resposta à declaração do presidente Lula que ironizou a convocação do jogador como um ‘convocado home office’.

Na tarde do dia 24 de junho, Flávio Bolsonaro, senador e pré-candidato à presidência pelo Partido Liberal (PL), compartilhou em sua conta na rede social X um vídeo produzido com tecnologia de inteligência artificial (IA). No conteúdo, uma versão digital do próprio Flávio pilota um avião militar com as cores da bandeira brasileira para transportar Neymar até um jogo da seleção no exterior. A publicação ocorreu poucas horas antes da partida entre Brasil e Escócia, válida pela Copa do Mundo, que aconteceu em Miami às 19h. O vídeo retrata Flávio Bolsonaro em um quartel-general, assistindo a um trecho da fala do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, feita em 19 de junho em Belo Horizonte, quando Lula brincou dizendo que Neymar seria “o primeiro convocado home office do mundo”, provocando risos no público presente. Em resposta, o vídeo mostra Flávio vestindo um uniforme semelhante ao da Força Aérea Brasileira (FAB), ordenando a preparação de sua aeronave para “resgatar” Neymar. Imagens do jogador treinando são intercaladas até que o avatar do senador chega para avisar que ele era aguardado para entrar em campo, finalizando com a chegada de Neymar ao estádio e a comemoração da torcida. Flávio Bolsonaro já havia defendido Neymar em outra postagem recente, criticando o presidente Lula e afirmando que o jogador é um craque enquanto Lula seria um “presidente turista”, ressaltando o apoio popular ao atleta. A utilização de vídeos gerados por IA em campanhas eleitorais está regulamentada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Em fevereiro de 2024, o TSE proibiu o uso de deep fakes para favorecer ou prejudicar candidaturas, mesmo com autorização. Em março, a corte autorizou o uso de IA na propaganda eleitoral, desde que haja transparência clara sobre a origem do conteúdo e a ferramenta utilizada. A publicação do vídeo ocorre em meio a uma série de ações judiciais no TSE envolvendo o uso de inteligência artificial pelo PL e pelo PT. Recentemente, o PT entrou com uma representação contra o PL por um vídeo que mostrava Flávio Bolsonaro e o ex-presidente Jair Bolsonaro em uma operação contra organizações criminosas, também gerado por IA. Até o momento, o TSE ainda não se manifestou sobre essas ações. Para as eleições de 2026, o TSE estabeleceu novas regras para o uso de inteligência artificial, incluindo a proibição de impulsionamento de conteúdos gerados por IA nas 72 horas anteriores e 24 horas posteriores à votação. Além disso, plataformas de IA não podem recomendar candidatos ou ranquear candidaturas, nem produzir conteúdos que envolvam violência política contra a mulher ou imagens sexuais envolvendo candidatos. As campanhas devem identificar claramente conteúdos patrocinados e informar de forma destacada quando materiais forem criados ou alterados por IA, incluindo em formatos impressos. Essas medidas visam garantir transparência e evitar abusos na propaganda eleitoral digital durante o pleito.

Contexto

A repercussão da declaração do presidente Lula sobre Neymar como “convocado home office” gerou respostas políticas e digitais, evidenciando o uso crescente da inteligência artificial como ferramenta de comunicação e propaganda eleitoral no Brasil. O Tribunal Superior Eleitoral tem intensificado a regulamentação para coibir abusos e garantir a transparência no uso dessas tecnologias, especialmente diante do aumento de representações relacionadas à propaganda antecipada e ao uso indevido de deep fakes nas eleições de 2026.

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