Presidenciáveis intensificam negociações para escolha de vice visando ampliar apoio e garantir tempo de TV
Estratégias para composição das chapas buscam reduzir resistências eleitorais e fortalecer alianças políticas no período pré-eleitoral.
Estratégias para composição das chapas buscam reduzir resistências eleitorais e fortalecer alianças políticas no período pré-eleitoral.
Com as convenções partidárias marcadas para começar em 20 de julho, as campanhas presidenciais aceleram a escolha dos candidatos a vice, focando em nomes que possam ampliar o apelo eleitoral e fortalecer as alianças para garantir maior tempo de rádio e televisão.
Faltando menos de um mês para o início das convenções partidárias, momento em que os partidos oficializam seus candidatos para as eleições presidenciais, as equipes de pré-campanha dos principais presidenciáveis estão em intensa articulação para definir os nomes que ocuparão as vagas de vice nas chapas. A escolha desses candidatos é estratégica e considera, principalmente, dois aspectos: a capacidade de ampliar o eleitorado e a possibilidade de formar coligações que garantam maior tempo de propaganda eleitoral na televisão e no rádio.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) confirmou em março a manutenção da chapa que o elegeu em 2022, com Geraldo Alckmin (PSB) na vice-presidência. Aliados de Alckmin destacam sua discrição, fidelidade e competência política, atributos que o tornam um vice ideal para a continuidade da aliança. Embora tenha havido discussões internas sobre a possibilidade de um vice do MDB para ampliar o alcance no centro, a resistência dentro do próprio MDB e a afinidade histórica de Alckmin com Lula consolidaram a decisão pela manutenção da atual composição.
No campo da oposição, o senador Flávio Bolsonaro (PL) intensifica as negociações para escolher uma mulher como vice, com o objetivo de conquistar o eleitorado feminino e ampliar a base de apoio. A campanha busca ainda que a vice represente um partido do Centrão, aumentando o tempo de TV e sinalizando uma aproximação com o centro político. Entre os nomes cotados estão as deputadas Simone Marquetto (PP-SP) e Clarissa Tércio (PP-PE), e a senadora Tereza Cristina (PP-MS), que agregaria experiência e apoio do agronegócio. Internamente, há debates para evitar uma chapa formada exclusivamente por integrantes do PL, buscando alianças com partidos maiores como PP ou União Brasil.
O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) planeja anunciar seu vice em breve, com negociações avançadas para incluir Geraldo Rufino, do Podemos, que traria diversidade e uma trajetória inspiradora à chapa. A aliança com o Podemos também garantiria maior tempo de propaganda, uma vantagem para o partido Novo, que possui estrutura menor.
Já o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) ainda não definiu seu vice e deve aguardar o período das convenções para tomar essa decisão. A equipe de Caiado avalia que o recente vídeo da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que criticou Flávio Bolsonaro, pode impactar o cenário eleitoral e influenciar o momento de definição da chapa. Além disso, a falta de coligações com partidos grandes dificulta a obtenção de tempo de TV, considerado essencial para ampliar a visibilidade da candidatura.
Por fim, o pré-candidato Renan Santos, do partido Missão, também não anunciou seu vice, com expectativa de que a decisão ocorra durante as convenções. A tendência é que o nome escolhido seja do próprio partido, embora não se descarte a possibilidade de alianças com outras siglas.
A definição dos vices é fundamental para as estratégias eleitorais, pois além de sinalizar posicionamentos políticos e ampliar o espectro de apoio, também influencia diretamente no tempo de propaganda eleitoral, um dos recursos mais importantes para a disputa presidencial no Brasil.
Contexto
As convenções partidárias para as eleições presidenciais de 2026 ocorrerão entre 20 de julho e 5 de agosto, período em que os partidos oficializam suas candidaturas e coligações. A escolha do vice é uma etapa estratégica para ampliar o apelo eleitoral e garantir maior tempo de rádio e TV, fatores decisivos para o sucesso nas urnas. Em 2022, a aliança entre Lula e Alckmin foi um exemplo de como a composição da chapa pode impactar a percepção do eleitorado e a dinâmica da campanha.