
Após série de terremotos que atingiram Caracas e regiões próximas, Brasil oferece suporte técnico e humanitário para recuperação do país vizinho.
O ministro da Defesa brasileiro, José Múcio Monteiro, reuniu-se com a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, em Caracas, e colocou o Brasil à disposição para apoiar a reconstrução das áreas afetadas pelos fortes terremotos que abalaram o país na última semana, causando centenas de mortes e milhares de feridos.
Na terça-feira (30), em encontro oficial na capital venezuelana, o ministro da Defesa do Brasil, José Múcio Monteiro, encontrou-se com a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, e com o ministro da Defesa venezuelano, Gustavo González López. Durante a reunião, o Brasil manifestou interesse em colaborar tecnicamente no processo de reconstrução habitacional das regiões afetadas pelos recentes terremotos. Na noite de quarta-feira (24), dois tremores consecutivos, com magnitudes de 7,2 e 7,5, atingiram a região norte da Venezuela, incluindo Caracas, provocando destruição generalizada, desabamentos e um número elevado de vítimas. Segundo dados oficiais, já são cerca de duas mil mortes confirmadas e aproximadamente 10,5 mil feridos. A Organização das Nações Unidas (ONU) alerta para dezenas de milhares de desaparecidos. Além dos dois grandes sismos, a Venezuela registrou outros tremores menores nos dias seguintes, incluindo um de magnitude 4,6 na manhã de segunda-feira (29), com epicentro em Caraballeda, litoral norte do país, a cerca de 30 km da capital. Durante a reunião, Delcy Rodríguez destacou que a reconstrução das moradias é um dos principais desafios a médio prazo para o governo venezuelano. Engenheiros locais apresentaram estudos preliminares para identificar terrenos seguros e adequados para a construção de novas residências nas áreas atingidas. O ministro José Múcio afirmou que o Brasil está pronto para colaborar tecnicamente, com apoio também da Caixa Econômica Federal e do Ministério das Cidades, que possuem experiência em programas habitacionais e ações de reconstrução após desastres naturais, como as enchentes recentes no Rio Grande do Sul, em 2024. “O foco inicial é salvar vidas e organizar o atendimento emergencial. Em seguida, será necessário planejar a reconstrução, incluindo a definição de áreas seguras para habitação”, declarou Múcio, conforme comunicado do Ministério da Defesa. Paralelamente, o Brasil já enviou ajuda humanitária à Venezuela desde a semana passada. A embaixada brasileira em Caracas tem solicitado que brasileiros residentes no país doem sangue e evitem deslocamentos para as regiões afetadas. Até o momento, cinco voos partiram do Brasil com suprimentos e equipes de apoio. O último, realizado nesta terça-feira (30), transportou equipamentos para ampliar o hospital de campanha em La Guaira, além de militares da Marinha e insumos médicos. Nos voos anteriores, foram enviados 71 bombeiros, quatro especialistas da Defesa Civil, quatro técnicos da Anatel, seis cães de busca, um hospital de campanha, 48 militares da Marinha, 100 purificadores de água e 112 mil unidades de medicamentos e insumos médicos.
Contexto
A Venezuela sofreu um dos maiores desastres naturais de sua história recente com os terremotos ocorridos em 24 de junho de 2026, que atingiram principalmente Caracas e regiões vizinhas. Os tremores foram os mais intensos registrados no país em mais de um século, causando grande destruição e um elevado número de vítimas. A resposta internacional e regional tem sido fundamental para o atendimento emergencial e para o planejamento da reconstrução das áreas afetadas. O Brasil, como país vizinho e parceiro estratégico, tem se posicionado para oferecer suporte técnico e humanitário, alinhando esforços para a recuperação da Venezuela.