Lula anuncia candidatura à reeleição no Mercosul e destaca importância da democracia no Brasil
Presidente brasileiro reforça compromisso com a democracia e propõe avanços na cooperação regional durante cúpula em Assunção
Presidente brasileiro reforça compromisso com a democracia e propõe avanços na cooperação regional durante cúpula em Assunção
Durante a 68ª Cúpula do Mercosul realizada em Assunção, no Paraguai, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou que disputará a reeleição nas eleições de outubro para garantir a manutenção da democracia no Brasil. Em seu discurso, Lula também defendeu a integração econômica do bloco e propôs iniciativas para fortalecer a cooperação entre os países membros.
Na terça-feira, 30 de junho, em Assunção, Paraguai, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) revelou que será candidato à reeleição nas eleições presidenciais brasileiras deste ano. A declaração foi feita durante a 68ª Cúpula do Mercosul, em um momento de improviso após a leitura de seu discurso oficial, que abordava as relações entre os países do bloco e suas conexões com outras regiões econômicas. Lula justificou sua candidatura afirmando que a disputa visa assegurar a continuidade da democracia no Brasil, ressaltando que o sistema democrático enfrenta ameaças globais, incluindo tentativas de golpe no próprio país. O presidente brasileiro busca seu quarto mandato e terá como principal adversário Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. O Mercosul, bloco econômico regional criado em 1991 e composto atualmente por Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai e Bolívia, tem como objetivo promover a integração econômica e aduaneira, facilitando a livre circulação de bens, serviços e fatores produtivos entre seus membros. Lula destacou os 35 anos do Mercosul como uma resposta histórica aos períodos autoritários na América do Sul e enfatizou que a integração deve prevalecer sobre divergências ideológicas entre os líderes dos países. “O Mercosul não pode depender da eleição de um ou outro presidente, pois isso comprometeria a força e a vitalidade do bloco”, afirmou. O presidente brasileiro pediu um esforço conjunto para consolidar as instituições de apoio do Mercosul, garantindo que o funcionamento do bloco seja independente das mudanças políticas nacionais. Sem mencionar diretamente o avanço de partidos de direita na região, Lula afirmou que o Mercosul representa a melhor alternativa institucional em um cenário sul-americano polarizado. Além de Lula, participaram da reunião os presidentes Santiago Peña (Paraguai), Yamandú Orsi (Uruguai), José Antonio Kast (Chile) e Daniel Noboa (Equador). O argentino Javier Milei, adversário político de Lula e aliado da família Bolsonaro, não compareceu, enviando o chanceler Pablo Quirino como representante. Durante seu discurso, Lula também propôs a troca de experiências em inteligência artificial entre os países do Mercosul e sugeriu que o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos, o PIX, sirva como base para uma infraestrutura comum de pagamentos no bloco. O objetivo é reduzir custos e ampliar o uso das moedas locais na região. Em um momento de solidariedade, os líderes do Mercosul fizeram um minuto de silêncio em homenagem às vítimas dos recentes terremotos na Venezuela, que deixaram oficialmente 1.719 mortos, além de milhares de desaparecidos e desabrigados. A iniciativa foi proposta por Lula no início da cúpula. O presidente brasileiro defendeu a criação de um fundo sul-americano para desastres naturais, classificando-o como uma “necessidade estratégica” para os países da região, e sugeriu um mecanismo conjunto para enfrentar desastres e financiar adaptações climáticas. Lula também mencionou os impactos das guerras globais, que têm causado instabilidade e aumento nos preços de alimentos e energia. Em termos econômicos, o presidente destacou o crescimento do comércio interno do Mercosul, que saltou de US$ 4,5 bilhões em 1991 para uma projeção de US$ 50 bilhões em 2025. Ele citou a ratificação de acordos comerciais com Singapura e a União Europeia, além do avanço em negociações com Canadá, Índia e Vietnã. Durante a cúpula, o Mercosul iniciou negociações para uma parceria econômica com o Japão e pretende buscar aproximação semelhante com a China em breve.
Contexto
O Mercosul foi fundado em 1991 como uma iniciativa para promover a integração econômica e política entre países da América do Sul, buscando superar legados autoritários e fortalecer a cooperação regional. Nos últimos anos, o bloco tem enfrentado desafios relacionados a divergências políticas internas e à necessidade de modernizar suas estruturas para competir globalmente. A cúpula de 2026 ocorre em um momento de polarização política na região, com avanços de diferentes espectros ideológicos e crises humanitárias, como os terremotos na Venezuela, que mobilizam esforços de solidariedade entre os países membros.