Flávio Bolsonaro defende PIX e pede adiamento de tarifas dos EUA contra o Brasil
Em documento ao governo dos EUA, senador destaca importância do PIX e critica sanções comerciais propostas durante gestão Trump.
Em documento ao governo dos EUA, senador destaca importância do PIX e critica sanções comerciais propostas durante gestão Trump.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) enviou ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) um documento no qual defende o sistema de pagamentos instantâneos brasileiro, o PIX, e solicita o adiamento por 180 dias da aplicação das tarifas de 25% propostas contra produtos brasileiros. Ele argumenta que as sanções prejudicam investimentos americanos e reforçam politicamente o governo Lula em ano eleitoral.
Em carta encaminhada ao USTR na última quarta-feira (1º), Flávio Bolsonaro destacou que o PIX, lançado durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro, não substitui cartões de crédito e débito, pois não oferece funções como crédito ao consumidor, financiamento, proteção contra disputas e estorno. O senador ressaltou que o sistema é uma infraestrutura pública soberana e que alegações de conflito de interesse feitas pelo governo Trump são “exageradas”, citando o FedNow, sistema de pagamentos instantâneos operado pelo Federal Reserve dos EUA.
Flávio afirmou que o volume de transações com cartões americanos no Brasil continua crescendo paralelamente ao PIX e que a formalização de milhões de brasileiros ampliou o mercado consumidor para empresas dos EUA, especialmente em comércio eletrônico, fintechs e plataformas digitais. O senador também argumentou que as tarifas propostas não alteram a arquitetura do sistema de pagamentos e prejudicam o investimento norte-americano no país.
No documento de 86 páginas, Flávio Bolsonaro se apresenta como pré-candidato do PL à Presidência da República e pede o adiamento da aplicação das tarifas por 180 dias, sugerindo que as medidas sejam postergadas para depois das eleições presidenciais brasileiras. Ele afirma que as sanções propostas recompensariam o governo Lula por sua estratégia de obstrução nas negociações e retaliações, fortalecendo politicamente o presidente em um ano eleitoral.
O senador está confirmado para participar da audiência pública do USTR marcada para 7 de julho, que discutirá as tarifas propostas pelo governo Trump. A lista de participantes inclui representantes da Confederação Nacional da Indústria (CNI), setores rurais, varejistas, mineração e o influenciador Paulo Figueiredo, aliado da família Bolsonaro.
A investigação que motivou as tarifas foi aberta com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, que permite aos EUA impor medidas contra práticas consideradas injustas no comércio internacional. O relatório do USTR aponta que políticas brasileiras relacionadas ao PIX, regulação de plataformas digitais, acordos comerciais, combate ao desmatamento, propriedade intelectual e etanol são restritivas ao comércio americano.
Além disso, outra investigação dos EUA identificou que o Brasil e outros países não fiscalizam adequadamente a entrada de produtos fabricados com trabalho forçado, propondo uma sobretaxa adicional de 12,5%. Caso aprovadas, as tarifas podem chegar a 37,5% sobre determinados produtos brasileiros exportados aos EUA.
O governo brasileiro, por meio do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, enviou resposta oficial negando que as políticas nacionais sejam discriminatórias ou criem barreiras ao comércio dos EUA. O presidente Lula atribui as ameaças tarifárias a ações da família Bolsonaro, especialmente do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, que chegou a agradecer publicamente a imposição de tarifas pelo governo Trump em 2022.
As medidas ainda não entraram em vigor e passarão por consulta pública nos dias 6 e 7 de julho, quando será realizada audiência para discutir as propostas. O governo americano já sinalizou que produtos considerados estratégicos, como café, carne, frutas, aeronaves, fertilizantes e minerais críticos, podem ser excluídos das tarifas.
Contexto
Desde junho de 2026, o governo dos Estados Unidos investiga práticas brasileiras relacionadas ao sistema de pagamentos digitais PIX e outras políticas comerciais, com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. A investigação resultou na proposta de tarifas adicionais de até 25% sobre produtos brasileiros, além de uma sobretaxa de 12,5% por questões relacionadas ao trabalho forçado. O Brasil respondeu oficialmente às acusações, defendendo suas políticas e negando discriminação. A situação ocorre em meio a tensões políticas internas, com o presidente Lula criticando a família Bolsonaro por supostas articulações que teriam influenciado as medidas americanas. A audiência pública do USTR marcada para julho de 2026 deve definir os próximos passos sobre as tarifas.