Pesquisa Datafolha revela aumento na associação da pobreza à preguiça entre brasileiros em 2026
Levantamento aponta mudança significativa na percepção sobre causas da pobreza, com variações por idade, renda e preferência política.
Levantamento aponta mudança significativa na percepção sobre causas da pobreza, com variações por idade, renda e preferência política.
Uma pesquisa Datafolha divulgada em 3 de julho de 2026 revela que a parcela de brasileiros que relaciona a pobreza à preguiça quase dobrou em quatro anos, passando de 22% em 2022 para 40% em 2026, enquanto a visão de que a desigualdade decorre da falta de oportunidades caiu de 76% para 58%.
O Instituto Datafolha divulgou nesta sexta-feira (3) um levantamento que aponta uma mudança expressiva na percepção dos brasileiros sobre as causas da pobreza no país. Segundo a pesquisa, realizada presencialmente entre os dias 17 e 18 de junho de 2026, 40% dos entrevistados associam a pobreza à “preguiça de pessoas que não querem trabalhar”, um aumento significativo em relação aos 22% registrados em 2022. Por outro lado, a parcela que atribui a pobreza à falta de oportunidades iguais para ascensão social diminuiu de 76% para 58% no mesmo período.
O estudo, que integra o eixo de comportamento da matriz ideológica do Datafolha, abrange temas relacionados a valores sociais e políticos, como armas, criminalidade, drogas e migração. A pesquisa ouviu 2.004 eleitores com 16 anos ou mais em 139 municípios brasileiros, com margem de confiança de 95% e registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-09956/2026.
Historicamente, a associação da pobreza à preguiça já havia registrado picos durante períodos de intenso debate político, como em 2013 (32%) e 2014 (37%), mas o índice atual de 40% é o maior desde o início da série histórica em 2013. A percepção predominante, porém, ainda é a de que a pobreza resulta da falta de oportunidades, embora esse percentual tenha caído consideravelmente.
A análise detalhada do Datafolha revela que a percepção sobre as causas da pobreza varia conforme a renda, ocupação, faixa etária e alinhamento político dos entrevistados. Entre pessoas com renda familiar de até dois salários mínimos, os índices refletem a média nacional, com 40% associando a pobreza à preguiça e 58% à falta de oportunidades. Já entre os que ganham mais de dez salários mínimos, 63% atribuem a pobreza à ausência de oportunidades.
No recorte por ocupação, empresários são os que mais relacionam a pobreza à preguiça, com 56%, enquanto servidores públicos apresentam o menor índice, com 28%. A divisão por idade mostra um contraste geracional: jovens entre 16 e 24 anos apontam em 74% a falta de oportunidades como causa da pobreza, enquanto 22% associam à preguiça. Entre idosos com 60 anos ou mais, a opinião está dividida, com 49% relacionando a pobreza à preguiça e 48% à falta de oportunidades.
O viés político também influencia as respostas. Eleitores do presidente Lula (PT) tendem a enxergar a pobreza como resultado da falta de oportunidades (70%), enquanto 28% associam à preguiça. Já entre os apoiadores de Flávio Bolsonaro (PL), 52% vinculam a pobreza à preguiça e 44% à falta de oportunidades.
Essa mudança no entendimento sobre as causas da pobreza ocorre em um contexto de debates intensos sobre desigualdade social e políticas públicas no Brasil, refletindo as diferentes matrizes ideológicas presentes no país. O levantamento contribui para compreender como a opinião pública brasileira evolui em relação a temas centrais para o desenvolvimento social e econômico.
Contexto
Nos anos 2000, o Brasil experimentou crescimento do PIB per capita em 32%, redução da desigualdade e diminuição da pobreza pela metade. Desde 2013, o Datafolha monitora a percepção dos brasileiros sobre as causas da pobreza, registrando oscilações conforme o cenário político e social. A pesquisa de 2026 indica uma mudança significativa, com aumento da associação da pobreza à preguiça e queda da percepção sobre falta de oportunidades, refletindo polarizações ideológicas e econômicas atuais.