Política Nacional

Pesquisa Datafolha revela que 70% dos brasileiros apoiam punição de menores como adultos

Apoio à reeducação de menores infratores diminui enquanto endurecimento da opinião pública cresce, segundo pesquisa Datafolha de junho de 2026.

Apoio à reeducação de menores infratores diminui enquanto endurecimento da opinião pública cresce, segundo pesquisa Datafolha de junho de 2026.

Uma pesquisa Datafolha divulgada em 3 de julho de 2026 aponta que 70% dos brasileiros defendem que adolescentes que cometem atos infracionais sejam punidos como adultos, aumento de cinco pontos percentuais em relação a 2022. Paralelamente, o apoio à reeducação desses menores caiu para 27%.

O mais recente levantamento do Instituto Datafolha, realizado nos dias 17 e 18 de junho de 2026, revela um crescimento na parcela da população brasileira que apoia a punição de adolescentes infratores como se fossem adultos. Segundo a pesquisa, 70% dos entrevistados concordam com essa medida, contra 65% registrados em 2022. Por outro lado, a defesa pela reeducação dos menores infratores diminuiu de 34% para 27% no mesmo período. A pesquisa foi realizada presencialmente com 2.004 eleitores com 16 anos ou mais, distribuídos em 139 municípios, com margem de confiança de 95% e registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-09956/2026.

O levantamento também detalhou as opiniões segundo a religião e a intenção de voto dos participantes. Entre os evangélicos, 75% são favoráveis à punição como adultos, enquanto 24% apoiam a reeducação. Entre os católicos, 72% defendem a punição e 25% a reeducação. No recorte por intenção de voto para a eleição presidencial, 81% dos eleitores de Flávio Bolsonaro apoiam a punição de menores como adultos, contra 17% que preferem a reeducação. Já entre os eleitores de Lula, 61% são favoráveis à punição e 37% optam pela reeducação.

O levantamento também abordou a percepção da população sobre a proibição das drogas no Brasil. A maioria expressiva, 85%, concorda com a afirmação de que o uso de drogas deve ser proibido porque toda a sociedade sofre com as consequências. Apenas 13% são favoráveis à descriminalização, argumentando que o usuário é quem sofre as consequências. Essa posição se mantém estável em comparação com a pesquisa de 2022, que registrou 83% e 15%, respectivamente.

Importante destacar que, apesar da pesquisa utilizar o termo “crimes” para se referir às condutas dos adolescentes, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) classifica juridicamente tais atos como infrações, e não crimes, quando cometidos por menores de 18 anos.

Este cenário revela um endurecimento da opinião pública brasileira em relação à responsabilização dos adolescentes infratores, refletindo debates atuais sobre segurança pública e políticas socioeducativas.

Contexto

O debate sobre a punição de menores infratores no Brasil é antigo e envolve questões jurídicas, sociais e políticas. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) estabelece medidas socioeducativas para adolescentes que cometem atos infracionais, diferenciando-os do sistema penal aplicado a adultos. Nos últimos anos, a discussão sobre a redução da maioridade penal ganhou força em meio a preocupações com a criminalidade juvenil. A pesquisa Datafolha de 2026 indica uma mudança na opinião pública, com maior apoio à aplicação de penas similares às dos adultos para menores infratores, o que pode influenciar futuras políticas públicas e o debate legislativo.

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