Nikolas Ferreira e deputados de direita dominam interações nas redes sociais, aponta pesquisa
Estudo destaca estratégias variadas e plataformas que impulsionam o engajamento dos parlamentares nas redes sociais entre fevereiro e abril de 2026.
Estudo destaca estratégias variadas e plataformas que impulsionam o engajamento dos parlamentares nas redes sociais entre fevereiro e abril de 2026.
Pesquisa realizada pela Nexus Pesquisa e Inteligência de Dados aponta que deputados federais de direita, liderados por Nikolas Ferreira (PL-MG), concentraram mais da metade das interações digitais entre os 15 parlamentares com maior presença nas redes sociais no primeiro trimestre de 2026.
Um levantamento da Nexus Pesquisa e Inteligência de Dados, solicitado pelo g1, analisou o desempenho digital de 15 deputados federais brasileiros entre 1º de fevereiro e 30 de abril de 2026. O estudo revelou que os parlamentares alinhados à direita foram responsáveis por 52,6% das 865 milhões de interações registradas nas principais plataformas digitais, superando com folga os deputados de centro e esquerda, que concentraram 27,1% e 20,3% das interações, respectivamente.
Nikolas Ferreira (PL-MG) destacou-se como o parlamentar com maior relevância digital, alcançando 80,29 pontos no Índice de Relevância nas Redes (IR² Nexus), criado para medir o impacto e engajamento nas redes sociais. Sua pontuação foi mais que o dobro da obtida pelo segundo colocado, Fábio Teruel (MDB-SP), que somou 35,92 pontos. Completam o top 5 Gustavo Gayer (PL-GO), Erika Hilton (PSOL-SP) e André Janones (Rede-MG), com 25,81, 22,13 e 18,23 pontos, respectivamente.
O estudo considerou quatro critérios para a construção do índice: frequência de publicações, volume total de interações, número de seguidores e média de interações por postagem. Além disso, cada rede social recebeu um peso diferente conforme sua relevância estratégica, abrangendo Instagram, X (antigo Twitter), Facebook, YouTube e TikTok.
As redes sociais focadas em vídeos curtos e verticais, como TikTok e YouTube, foram decisivas para o alcance dos parlamentares. Deputados de direita, por exemplo, obtiveram média de 204 mil interações por publicação no YouTube, enquanto políticos de centro e esquerda registraram, respectivamente, 38 mil e 5 mil interações. No Facebook, o melhor desempenho proporcional ficou com parlamentares de centro, impulsionados por temas como religião e segurança pública.
No X, a disputa entre direita e esquerda foi mais equilibrada, com médias de 99 mil e 107 mil interações por postagem, respectivamente. Esse equilíbrio se deve, em grande parte, aos conteúdos da deputada Erika Hilton, que abordou temas como misoginia, transfobia e direitos trabalhistas.
Nikolas Ferreira construiu sua audiência digital com publicações que combinam críticas ao governo Lula, debates sobre valores familiares, denúncias de perseguições institucionais e questionamentos à carga tributária. Suas postagens frequentemente incluem termos como “Brasil”, “Lula”, “Moraes”, “Deus”, “salvar”, “verdade”, “acorda” e “povo”. Apesar de publicar menos do que alguns concorrentes, sua estratégia gera alto engajamento, sustentado por uma base expressiva de seguidores: 22 milhões no Instagram, 22 milhões no Facebook, 5,5 milhões no X, 9 milhões no TikTok e cerca de 2 milhões no YouTube.
Outros parlamentares adotam caminhos distintos para alcançar relevância. Fábio Teruel consolidou uma audiência fiel por meio de transmissões religiosas no Facebook e YouTube. Gustavo Gayer investiu em um alto volume de publicações com narrativas de confronto ao governo federal e ao Supremo Tribunal Federal (STF). Erika Hilton focou em pautas de direitos civis e trabalhistas, enquanto Delegado Bruno Lima construiu uma comunidade em torno da proteção animal. André Janones apostou em denúncias e chamadas urgentes para mobilizar seus seguidores.
Marcelo Tokarski, CEO da Nexus, ressalta que não existe uma fórmula única para o sucesso digital dos parlamentares. “Cada plataforma mobiliza o público de maneira distinta e em torno de narrativas específicas. No YouTube, o público responde mais aos conteúdos de embate institucional da direita. No X, esquerda e direita têm desempenho semelhante, com leve vantagem para pautas de direitos civis da esquerda. No Facebook e Instagram, temas como religião, proteção animal e segurança pública engajam independentemente do posicionamento político”, afirma.
Dessa forma, o estudo evidencia que o engajamento nas redes sociais depende da capacidade dos deputados de criar identificação e manter o interesse de audiências específicas, seja por meio do embate político, da fé, da segurança pública ou de causas sociais.
Contexto
A pesquisa da Nexus Pesquisa e Inteligência de Dados foi realizada entre fevereiro e abril de 2026, com foco em 15 deputados federais brasileiros que possuem maior presença digital. O estudo buscou mapear o desempenho dos parlamentares nas principais redes sociais, considerando as diferentes estratégias de comunicação e o impacto das publicações. O índice IR² Nexus foi desenvolvido para mensurar a relevância digital dos deputados, levando em conta múltiplos aspectos do engajamento e da audiência. O levantamento destaca a crescente importância das redes sociais como ferramenta política e o papel das plataformas de vídeo curto na amplificação das mensagens dos parlamentares.