Ronaldo Caiado critica pedido de Flávio Bolsonaro e cobra pragmatismo do governo Lula sobre tarifaço de Trump
Pré-candidato do PSD defende postura pragmática do Brasil diante da ameaça de tarifas dos EUA e critica uso eleitoral do tema por Flávio Bolsonaro.
Pré-candidato do PSD defende postura pragmática do Brasil diante da ameaça de tarifas dos EUA e critica uso eleitoral do tema por Flávio Bolsonaro.
Em evento da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Ronaldo Caiado classificou como inaceitável o pedido de Flávio Bolsonaro para adiar tarifaço dos EUA e cobrou do governo Lula foco no interesse nacional, longe de ideologias e interesses eleitorais.
O pré-candidato à Presidência pelo PSD, Ronaldo Caiado, manifestou nesta quarta-feira (8), em Brasília, forte crítica ao pedido feito pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aos Estados Unidos para que o aumento das tarifas sobre produtos brasileiros fosse adiado para depois das eleições brasileiras. Para Caiado, essa solicitação é “inaceitável” e demonstra falta de compromisso com os interesses do país. Durante sua participação em um evento promovido pela Confederação Nacional do Comércio (CNC), que reuniu presidenciáveis, Caiado também apontou falhas na atuação do governo Lula na condução das negociações com a administração de Donald Trump. Segundo ele, o Itamaraty deveria abandonar motivações ideológicas e priorizar o pragmatismo para evitar a imposição das tarifas. “Dizer que o tarifaço seja adiado para depois da eleição é inaceitável”, afirmou Caiado, ressaltando que o tema não pode ser tratado apenas no período eleitoral. O ex-governador de Goiás destacou ainda que o governo Lula deve atuar pensando no Estado brasileiro e não em interesses pessoais ou eleitorais. “Não se pode usar a máquina pública para fins eleitorais, com visão restrita ao dia 4 de outubro. O que precisamos é de um governante que defenda o Brasil, e não sua posição ou interesse pessoal”, declarou. No mesmo evento, Caiado comentou o cenário político para 2026 e voltou a alertar que votar em Flávio Bolsonaro poderia favorecer a reeleição do presidente Lula em um eventual segundo turno. “Se votar no Flávio, vai reeleger o Lula. E, se não houver um candidato capaz de enfrentá-lo, o país poderá passar por um desmonte semelhante ao que ocorreu no segundo governo Dilma Rousseff”, afirmou. O pré-candidato do PSD também defendeu a necessidade de autoridade moral, coragem pessoal e independência intelectual para liderar o país. Além das críticas ao tarifaço, Caiado abordou a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa reduzir a jornada de trabalho para eliminar a escala 6×1, já aprovada na Câmara e em discussão no Senado. Ele condenou a pressão do governo para que parlamentares aprovem a proposta rapidamente, antes do período eleitoral. “Exigir que a mudança seja aplicada em dois meses, antes da eleição, é uma irresponsabilidade”, afirmou. Caiado ressaltou que essa imposição dificulta o diálogo e o debate necessários, colocando os parlamentares em uma situação delicada. “Ninguém é contra que o cidadão tenha mais tempo para lazer e família, mas isso não pode ser usado como argumento para atropelar o processo democrático”, acrescentou. Para o ex-governador, é fundamental que o setor produtivo tenha tempo para analisar e discutir as mudanças propostas. “Os empresários precisam participar desse debate, não podem ser excluídos. O governo não pode agir como se fosse o dono da verdade, sob pena de repetir erros do passado, como os do governo Dilma”, concluiu.
Contexto
O aumento de tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, conhecido como tarifaço, tem sido um tema sensível nas relações bilaterais entre Brasil e EUA. Flávio Bolsonaro solicitou o adiamento dessas tarifas para depois das eleições brasileiras de 2026, o que gerou críticas de setores políticos, como a de Ronaldo Caiado. Paralelamente, o governo Lula enfrenta desafios internos para aprovar a PEC que propõe o fim da escala 6×1, com debates acalorados sobre o prazo e a forma de implementação da medida.