Decisão do STF sobre Valdemar Costa Neto gera polêmica e defesa critica premissas
Presidente do PL é alvo de medidas cautelares após investigação da Polícia Federal sobre indicação irregular de emendas parlamentares.
Presidente do PL é alvo de medidas cautelares após investigação da Polícia Federal sobre indicação irregular de emendas parlamentares.
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta sexta-feira (10) a suspensão de emendas parlamentares e o bloqueio de bens do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, em meio a apuração da Polícia Federal sobre suposto esquema de direcionamento irregular de recursos públicos. A defesa do político nega qualquer crime e classifica a decisão como baseada em premissas frágeis.
O presidente do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, está no centro de uma investigação que resultou em medidas cautelares determinadas pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), nesta sexta-feira (10). A decisão suspende a execução de emendas parlamentares que, segundo a Polícia Federal (PF), teriam sido indicadas de forma irregular por Valdemar, e bloqueia bens do político até o limite de R$ 119,2 milhões.
De acordo com a PF, servidores da Câmara dos Deputados teriam colaborado para desviar recursos de ao menos 21 emendas parlamentares, totalizando o montante bloqueado. A investigação aponta que Valdemar, embora não exerça mandato parlamentar atualmente, teria utilizado um esquema paralelo dentro da Câmara para direcionar verbas destinadas a comissões, beneficiando interesses políticos e particulares.
A apuração é um desdobramento da “Operação Transparência”, deflagrada em dezembro do ano passado, que teve como um dos alvos a funcionária da Câmara Mariângela Fialek, conhecida como “Tuca”. Mensagens encontradas em celulares apreendidos indicam que servidores discutiam cotas de recursos e áreas prioritárias, como saúde e turismo, com forte concentração de indicações para municípios do estado de São Paulo. Em diálogos destacados na decisão judicial, assessores mencionam explicitamente tratativas em nome do presidente do PL para reservar valores máximos em ministérios, especialmente o do Turismo.
A defesa de Valdemar Costa Neto contestou as acusações, afirmando que a decisão do ministro Flávio Dino é baseada em “premissas frágeis” e que criminaliza a atividade político-partidária legítima. Segundo os advogados, é natural que um presidente de partido dialogue com parlamentares e articule interesses regionais e nacionais, sem que isso configure crime.
“Valdemar Costa Neto nega categoricamente a prática de qualquer crime. Não há qualquer prova, ou mesmo indício, de que tenha aderido conscientemente a um suposto esquema criminoso”, destaca a nota da defesa. Além disso, ressaltam que a Procuradoria-Geral da República (PGR) manifestou-se contrariamente à imposição das medidas cautelares.
O ministro Flávio Dino considerou que o empenho dos recursos representa a conversão da proposta desviada em execução financeira, justificando a necessidade das medidas para evitar prejuízo ao erário. A indisponibilidade dos bens visa garantir a reparação de eventuais danos causados pelo suposto esquema.
A defesa também criticou a extensão do bloqueio patrimonial, argumentando que a incerteza da investigação não justifica a restrição ampla e que não há indícios de vantagem pessoal para Valdemar Costa Neto. O comunicado lamenta ainda a exposição pública prematura da investigação, que ainda está em fase preliminar, e anuncia que serão tomadas todas as medidas judiciais para demonstrar a inocência do político e preservar seus direitos fundamentais.
Contexto
A investigação contra Valdemar Costa Neto decorre da Operação Transparência, realizada pela Polícia Federal em dezembro de 2025, que apurou irregularidades na indicação de emendas parlamentares na Câmara dos Deputados. A suspeita é de que servidores da Casa tenham colaborado para dar aparência legal a direcionamentos ilegais de recursos públicos, com a participação do presidente do PL, que não exerce mandato desde 2023. A decisão do STF ocorre em um momento de alta sensibilidade política e institucional, com eleições previstas para o final de 2026. A Procuradoria-Geral da República manifestou-se contra as medidas cautelares, mas o ministro Flávio Dino as manteve, ressaltando a necessidade de proteção ao patrimônio público.