Hugo Motta critica bloqueio de R$ 119 milhões em emendas ligadas a Valdemar Costa Neto
Motta classifica como ‘inaceitável’ ordem judicial que atinge recursos parlamentares e reforça confiança no trabalho dos servidores da Câmara
Motta classifica como 'inaceitável' ordem judicial que atinge recursos parlamentares e reforça confiança no trabalho dos servidores da Câmara
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), manifestou forte posicionamento contra a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal, Flávio Dino, que determinou o bloqueio de R$ 119 milhões em bens do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, por suspeitas de desvio em emendas parlamentares.
Na tarde de sábado (11), Hugo Motta divulgou nota oficial em que defende os servidores da Câmara dos Deputados e contesta a medida judicial que bloqueou recursos vinculados a Valdemar Costa Neto. Segundo Motta, a decisão do ministro Flávio Dino é “inaceitável” e representa uma intervenção indevida em atividade típica do Poder Legislativo. A investigação da Polícia Federal, que motivou o bloqueio, aponta que servidores da Câmara teriam atuado em conjunto para desviar pelo menos 21 emendas parlamentares em benefício do presidente do PL. Conforme apurado, deputados federais eram falsamente indicados como solicitantes das emendas para conferir aparência legal às operações, enquanto as indicações de Valdemar eram organizadas em planilhas e enviadas aos ministérios responsáveis por programas específicos. A ação é desdobramento da “Operação Transparência”, deflagrada em dezembro do ano passado, que teve como alvo a funcionária da Câmara Mariângela Fialek, conhecida como Tuca. A análise de celulares apreendidos na primeira fase da operação revelou mensagens entre servidores discutindo divisão de valores e áreas prioritárias, especialmente em saúde e turismo, com foco em municípios do estado de São Paulo. A Polícia Federal identificou um “arranjo funcional informal” envolvendo servidores da Câmara para operacionalizar essas indicações. Em sua nota, Hugo Motta afirmou que a distribuição das emendas está em conformidade com a legislação vigente e com os compromissos firmados entre os Poderes Executivo e Legislativo perante o Supremo Tribunal Federal. Ele ressaltou ainda a confiança no trabalho dos servidores e destacou que a autorização para que as equipes parlamentares operacionalizem as indicações conforme orientação da direção partidária é prática comum e não configura irregularidade. Motta concluiu que a Câmara dos Deputados seguirá atuando com transparência, respeito à legislação e autonomia, reafirmando a independência do Legislativo. O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, é figura central na investigação, que busca esclarecer possíveis desvios em recursos públicos destinados a emendas parlamentares.
Contexto
A “Operação Transparência” foi deflagrada pela Polícia Federal em dezembro de 2025 para apurar supostas irregularidades na destinação de emendas parlamentares na Câmara dos Deputados. A investigação identificou um esquema envolvendo servidores da Casa que teriam facilitado o desvio de recursos em benefício do presidente do PL, Valdemar Costa Neto. A decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, que determinou o bloqueio de R$ 119 milhões em bens de Valdemar, é uma medida cautelar para garantir a reparação de eventuais danos ao erário. O episódio gerou reação imediata da presidência da Câmara, que defendeu a legalidade das ações dos servidores e criticou a intervenção judicial no processo legislativo.