Flávio Bolsonaro acusa ministro Moraes de buscar pretexto para retirar pai da prisão domiciliar
Suspensão das visitas por 90 dias ocorre após divulgação de carta de Bolsonaro em apoio à candidatura do filho
Suspensão das visitas por 90 dias ocorre após divulgação de carta de Bolsonaro em apoio à candidatura do filho
O senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), declarou nesta segunda-feira (13) que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes busca um pretexto para retirar o ex-presidente Jair Bolsonaro da prisão domiciliar, após ter suspendido suas visitas ao pai por 90 dias.
Na manhã desta segunda-feira (13), Flávio Bolsonaro reagiu à decisão do ministro Alexandre de Moraes, que proibiu o senador de visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro durante três meses. A medida foi motivada pela divulgação, no último sábado (11), de uma carta escrita por Jair Bolsonaro, na qual ele manifesta apoio à pré-candidatura do filho à Presidência da República. Moraes entendeu que a leitura e a publicação da carta nas redes sociais desrespeitaram a restrição imposta ao ex-presidente, que não pode utilizar plataformas digitais direta ou indiretamente, configurando desvio de finalidade do direito de visita. Flávio afirmou que a suspensão das visitas é uma tentativa clara de impedir a comunicação entre pai e filho e classificou a decisão como desproporcional e política. “O que eu percebo é que Alexandre de Moraes quer apenas uma desculpa para tirar meu pai da prisão domiciliar. Não vamos ser ingênuos”, declarou o senador durante uma transmissão ao vivo. A proibição das visitas valerá até meados de outubro, período que engloba o primeiro turno das eleições presidenciais de 2026, marcado para o dia 4 daquele mês. Essa suspensão impede que Flávio e Jair Bolsonaro se encontrem durante o período eleitoral, o que o senador interpretou como uma tentativa de interferência do ministro nas eleições. A carta divulgada por Flávio foi o quinto recado público do ex-presidente desde que iniciou o cumprimento da pena de 27 anos e três meses de prisão domiciliar, imposta em novembro do ano passado após sua condenação por liderar uma organização criminosa que tentou um golpe de Estado para manter-se no poder após a derrota nas eleições de 2022. O ministro Alexandre de Moraes, relator do processo de execução da pena, ressaltou que Flávio utilizou o direito de visita para obter um documento com o objetivo exclusivo de publicá-lo nas redes sociais, infringindo a proibição judicial. Moraes também destacou que houve reincidência, já que condutas semelhantes ocorreram em agosto de 2025, ocasião que motivou a decretação da prisão domiciliar do ex-presidente. A divulgação da carta provocou reações tanto da oposição quanto de aliados, além de motivar o Partido dos Trabalhadores (PT) a ingressar com uma representação no STF para solicitar a revogação da prisão domiciliar, alegando descumprimento das medidas cautelares por parte de Bolsonaro. Paralelamente, o ambiente político em torno da família Bolsonaro tem sido marcado por tensões internas. Recentemente, Flávio e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro trocaram acusações nas redes sociais, culminando com a renúncia de Michelle à presidência do PL Mulher, decisão tomada em reunião com o presidente nacional do partido.
Contexto
Desde novembro de 2025, o ex-presidente Jair Bolsonaro cumpre prisão domiciliar após ser condenado por liderar uma organização criminosa que tentou um golpe de Estado para se manter no poder após as eleições de 2022. A restrição inclui a proibição de uso de redes sociais, direta ou indiretamente. Alexandre de Moraes é o ministro do STF responsável pela execução da pena. Flávio Bolsonaro, senador pelo Rio de Janeiro e pré-candidato à Presidência, tem mantido contato com o pai, mas recentemente teve suas visitas suspensas por 90 dias devido à divulgação de uma carta de apoio político. O episódio ocorre em meio à preparação para as eleições presidenciais de 2026 e a crescente polarização política no país.