Política Nacional

MP do Frete: Senado deve retirar piso de R$ 5 mil e vetar anistia a multas, diz líder do governo

Medida provisória que regula piso mínimo do frete rodoviário segue para votação no Senado com mudanças importantes no texto original.

Medida provisória que regula piso mínimo do frete rodoviário segue para votação no Senado com mudanças importantes no texto original.

O líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), anunciou que o Senado deve retirar do texto da MP do Frete o piso salarial de R$ 5 mil para caminhoneiros e que o presidente Lula deve vetar a anistia às multas aplicadas por manifestações em 2022. A votação está prevista para esta semana e a medida precisa ser aprovada até quinta-feira (16) para não perder a validade.

Desde março, a medida provisória que altera as regras do piso mínimo do frete rodoviário está em vigor, mas depende da aprovação definitiva do Congresso para se tornar lei. O líder do governo no Congresso Nacional, Randolfe Rodrigues (PT-AP), informou que o Senado trabalha para votar a MP entre terça (14) e quarta-feira (15), retirando o trecho que estipula um piso salarial nacional de R$ 5 mil para caminhoneiros que realizam trajetos longos. Essa mudança será considerada uma supressão do texto, o que evita a necessidade de nova votação na Câmara dos Deputados.

A política de preços mínimos do frete foi criada em 2018, após uma greve nacional dos caminhoneiros, e determina que a tabela de frete seja reajustada sempre que o preço do diesel oscilar mais de 5%. A MP atual endurece as penalidades para empresas que não cumprirem o piso, calculado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Em 2026, a ANTT aplicou mais de R$ 354 milhões em multas por descumprimento da tabela.

Randolfe explicou que, apesar da retirada do valor fixo de R$ 5 mil, o piso mínimo será mantido, porém sem definição de valor específico, em conformidade com a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF), que entende que o Congresso não deve definir valores para o piso. “Há acordo para manter o piso, mas sem estabelecer um valor”, afirmou.

Além disso, o líder do governo afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve vetar a anistia às multas aplicadas a caminhoneiros por manifestações ocorridas em 2022, durante a tentativa de golpe de Estado promovida pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. Essa anistia foi incluída na MP durante a tramitação na Câmara, mas, segundo Randolfe, não há tempo para que o Senado altere esse ponto sem que o texto retorne à Câmara para nova votação.

Na segunda-feira (13), representantes do governo e líderes partidários, incluindo Teresa Leitão (PT-PE), líder do governo no Senado, Tereza Cristina (PP-MS) e Jaime Bagattoli (PL-RO), se reuniram para negociar o texto. A líder do PP, Tereza Cristina, afirmou que a inclusão do piso de R$ 5 mil é uma “matéria estranha” à MP e destacou o avanço nas negociações para evitar que a medida caduque.

A MP do Frete foi publicada em março em meio à escalada da guerra no Oriente Médio, com o objetivo principal de garantir que o piso mínimo do frete reflita os custos reais do transporte, como combustível e pedágio. No entanto, o texto enfrenta resistência de setores como indústrias, produtores rurais e comércio, que temem que o aumento dos custos logísticos eleve os preços ao consumidor final. Instituições como o Instituto Livre Mercado e o Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e Lubrificantes (Sindicom) também se posicionam contra o aumento do piso.

O presidente da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava), Wallace Landim, enfatiza que a instabilidade internacional, especialmente a guerra entre EUA e Irã, impacta diretamente os caminhoneiros e a população em geral, reforçando a importância da política de preços mínimos do frete.

Caso o Senado confirme o acordo, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), deve pautar a medida para votação, garantindo que a MP seja analisada antes do prazo final de 16 de julho, evitando sua caducidade.

Contexto

A política de preços mínimos do frete foi instituída em 2018 para atender às demandas dos caminhoneiros durante a greve nacional daquele ano. Desde então, a tabela de frete é ajustada conforme variações no preço do diesel, buscando garantir remuneração justa para os profissionais do setor. A MP do Frete publicada em março de 2026 visa reforçar o cumprimento dessas regras e endurecer as penalidades para quem descumprir o piso. A tramitação da medida no Congresso tem sido marcada por negociações intensas, principalmente em relação ao valor do piso e à anistia das multas aplicadas por manifestações políticas.

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