Política Nacional

Pesquisa Quaest revela queda no apoio de Flávio Bolsonaro entre eleitores de direita não bolsonaristas

Senador do PL perde força entre direita não alinhada a Bolsonaro após polêmicas, mas mantém estabilidade com base bolsonarista.

Senador do PL perde força entre direita não alinhada a Bolsonaro após polêmicas, mas mantém estabilidade com base bolsonarista.

Pesquisa divulgada em 15 de julho de 2026 pela Quaest indica que o senador Flávio Bolsonaro (PL) sofreu uma queda significativa no apoio entre eleitores que se identificam com a direita, mas não são bolsonaristas, enquanto mantém alta aprovação entre seus apoiadores tradicionais.

O mais recente levantamento da Quaest, divulgado nesta quarta-feira (15), revela que o senador Flávio Bolsonaro (PL) perdeu terreno entre os eleitores de direita que não se consideram bolsonaristas. Segundo Felipe Nunes, diretor da Quaest, o apoio desse segmento ao senador caiu de 74% em maio para 54% em julho. Em dezembro de 2025, quando Flávio anunciou sua candidatura presidencial com o apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro, o índice era de 45%. Por outro lado, entre os bolsonaristas, o apoio a Flávio permanece estável, com intenções de voto acima de 90% desde fevereiro deste ano.

Felipe Nunes atribui essa mudança principalmente ao impacto do caso “Dark Horse”, um filme sobre Jair Bolsonaro que, segundo Flávio, foi financiado pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Vorcaro está preso sob acusação de fraudes bilionárias e envolvimento em um esquema de monitoramento e ameaças a adversários políticos. Em maio, mensagens e um áudio vieram à tona, nos quais Flávio cobrava recursos de Vorcaro para o financiamento do filme, o que teria abalado sua base entre a direita não bolsonarista.

Além disso, a pesquisa destaca que, apesar da perda de apoio de Flávio nesse segmento, os demais candidatos de direita ainda não conseguem se consolidar como alternativas expressivas. Romeu Zema (Novo) aparece com 6% das intenções de voto entre a direita não bolsonarista, Ronaldo Caiado (PSD) com 5% e Renan Santos (Missão) com 4%.

No cenário geral, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera a disputa presidencial com 40% das intenções de voto, seguido por Flávio Bolsonaro com 28%. Caiado, Renan Santos e Zema apresentam 4%, 3% e 2%, respectivamente. A polarização entre Lula e Flávio permanece evidente, em parte devido ao baixo reconhecimento dos demais candidatos: 44% dos entrevistados desconhecem Caiado, 50% não conhecem Zema e 77% não sabem quem é Renan Santos.

Outro ponto relevante da pesquisa é o aumento do número de eleitores indecisos, que subiu de 5% em maio para 11% em julho. Brancos, nulos e aqueles que não pretendem votar somam 8%.

A pesquisa também avaliou o impacto do vídeo divulgado pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, no qual ela relata desavenças com Flávio e afirma ter sido maltratada. Cerca de 51% dos entrevistados afirmaram não estar cientes do vídeo, enquanto 49% conheciam o conteúdo. Entre os que assistiram, 42% concordam mais com Michelle, contra 18% que apoiam Flávio. Além disso, 45% consideram que Michelle agiu corretamente ao divulgar as críticas, enquanto 38% acham que ela errou. Entre eleitores da direita não bolsonarista, 35% aprovam a atitude de Michelle, percentual que cai para 20% entre bolsonaristas.

Contexto

Desde o anúncio da candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro em dezembro de 2025, sua base de apoio tem oscilado, especialmente entre eleitores de direita que não se alinham diretamente com o bolsonarismo. O caso “Dark Horse” e a divulgação do vídeo da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro são episódios recentes que influenciaram a percepção do eleitorado. A polarização entre Flávio e Lula permanece o principal eixo da disputa, enquanto outros candidatos de direita ainda buscam maior visibilidade e apoio.

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