Política Nacional

Rio de Janeiro move ações para recuperar R$ 616 milhões investidos no Banco Master

Estado busca na Justiça o bloqueio de bens de gestoras e diretores envolvidos em investimentos que causaram prejuízo aos cofres públicos.

Estado busca na Justiça o bloqueio de bens de gestoras e diretores envolvidos em investimentos que causaram prejuízo aos cofres públicos.

A Procuradoria-Geral do Estado do Rio de Janeiro ingressou com três ações judiciais para tentar reaver R$ 616 milhões aplicados pelo Rioprevidência em fundos vinculados ao Banco Master, atualmente em liquidação extrajudicial. As medidas visam bloquear bens de gestoras e diretores envolvidos e garantir o ressarcimento do prejuízo aos cofres públicos.

Na quinta-feira, 16 de julho de 2026, a Procuradoria-Geral do Estado do Rio de Janeiro (PGE-RJ) protocolou três ações judiciais com o objetivo de recuperar os investimentos feitos pelo Rioprevidência em fundos administrados pelo conglomerado do Banco Master, que está em processo de liquidação extrajudicial. O montante total investido soma R$ 616 milhões e está distribuído entre dois fundos: Revolution e Texas I FIA.

Conforme os documentos acessados pelo G1, o Rioprevidência aplicou R$ 481,4 milhões no fundo Revolution, gerido pela Master Corretora. Embora o patrimônio atual do fundo esteja estimado em R$ 567,8 milhões, a carteira de investimentos está sob sigilo e composta majoritariamente por ativos de crédito privado que oferecem remuneração de até 180% do CDI, valor considerado fora do padrão de mercado pela PGE. Além disso, o prazo para resgate dos recursos é de 185 dias corridos, considerado longo pela Procuradoria.

A PGE aponta que os recursos previdenciários foram aplicados em ativos privados com remuneração desconectada da realidade do mercado, sem desconto compatível com o risco e com falta de transparência sobre garantias, lastro e critérios de precificação. Os procuradores qualificaram a situação como uma “tempestade perfeita” que evidencia um calote iminente aos cofres públicos.

No que diz respeito ao fundo Texas I FIA, o Rioprevidência investiu R$ 150 milhões, que sofreram uma desvalorização superior a 90% em um ano, reduzindo o patrimônio para cerca de R$ 14,8 milhões. A PGE relaciona essa perda a uma suposta compra coordenada das ações da Ambipar, realizada entre julho e agosto de 2024 pela gestora Trustee DTVM, que teria inflado artificialmente o preço dos papéis. A Procuradoria afirma que o Rioprevidência foi vítima de uma armadilha arquitetada pela administração do fundo.

As ações movidas pela PGE incluem pedidos de liminar para impedir que a Master S.A. Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários impeça o resgate de R$ 481 milhões solicitado pelo Rioprevidência, com previsão para 17 de agosto. Também foi solicitado o arresto de bens da gestora Acura e dos diretores Fernando Luiz de Senna Figueiredo e Ana Cristina Guerreiro Bezerra.

No caso do fundo Texas I FIA, a PGE requer a indisponibilidade dos bens da gestora Axor, da Trustee DTVM e dos diretores Alexandre Marchesani Canata e Felipe Mota Separovic Rodrigues, além da realização de auditoria independente para apurar a real situação do fundo.

Além dessas medidas, foi ajuizada uma ação de exibição de documentos, que tramita em segredo de justiça, para obter informações adicionais sobre os investimentos.

Os pedidos de bloqueio de bens abrangem imóveis, veículos, ações, marcas, embarcações, aeronaves e até criptomoedas dos envolvidos, totalizando R$ 616,6 milhões, valor que corresponde ao montante investido no fundo Revolution e à perda estimada no Texas I FIA.

Essas ações refletem a tentativa do Estado do Rio de Janeiro de proteger os recursos públicos aplicados pelo Rioprevidência e de responsabilizar os gestores e administradores que atuaram na operação dos fundos vinculados ao Banco Master.

Contexto

O Banco Master entrou em liquidação extrajudicial, o que motivou o Estado do Rio de Janeiro a buscar judicialmente a recuperação dos valores investidos pelo Rioprevidência, fundo de previdência dos servidores estaduais. A situação ganhou repercussão após denúncias de gestão irregular e prejuízos significativos aos cofres públicos, evidenciando riscos associados a investimentos em ativos privados com baixa transparência e alta complexidade.

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