Política Nacional

Pesquisa Quaest revela queda nas intenções de voto de Flávio Bolsonaro e aumento dos indecisos para eleições 2026

Estabilidade de Lula contrasta com a oscilação do apoio a Flávio Bolsonaro, que enfrenta desgaste após polêmicas recentes

Estabilidade de Lula contrasta com a oscilação do apoio a Flávio Bolsonaro, que enfrenta desgaste após polêmicas recentes

A pesquisa Quaest divulgada em julho revela uma redução nas intenções de voto para Flávio Bolsonaro, que caiu de 33% para 28% desde maio, enquanto o presidente Lula mantém liderança estável com 40%. Paralelamente, o número de eleitores indecisos dobrou, chegando a 11%, indicando um cenário eleitoral mais volátil para o próximo pleito.

A mais recente pesquisa realizada pela Quaest, divulgada em 15 de julho, evidencia uma mudança significativa no cenário eleitoral para as eleições de 2026. Flávio Bolsonaro, pré-candidato pelo Partido Liberal (PL), apresentou queda nas intenções de voto, passando de 33% em maio para 28% em julho. Em contrapartida, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mantém uma liderança consolidada com 40% das intenções, patamar estável nos últimos meses. O aumento dos eleitores indecisos chama atenção, subindo de 5% para 11% no mesmo período. Segundo Felipe Nunes, diretor da Quaest, essa oscilação não resultou em migração de votos para Lula ou para outros candidatos da direita, como Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo). “O que cresce é a indecisão, com eleitores avaliando a melhora no governo, mas sem se mover para Lula, e também se distanciando de Flávio Bolsonaro, sem encontrar uma alternativa viável”, afirmou Nunes em entrevista ao podcast O Assunto. A queda de Flávio Bolsonaro ocorre após revelações envolvendo conversas nas quais ele solicitava recursos ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso por fraudes bilionárias, para financiar o filme “Dark Horse”, que retrata o ex-presidente Jair Bolsonaro. Esse episódio gerou repercussão negativa e pode ter contribuído para o desgaste do senador. A pesquisa também destaca o baixo reconhecimento dos candidatos da direita não bolsonarista. Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Renan Santos apresentam índices de conhecimento público reduzidos, com 44%, 50% e 77% dos entrevistados, respectivamente, afirmando não conhecê-los. Na pesquisa espontânea, onde os nomes não são apresentados, esses candidatos aparecem com percentuais entre 2% e 4%. Para Nunes, a campanha eleitoral, que inicia em 16 de agosto, será decisiva para que esses nomes possam se apresentar e conquistar espaço. A análise do eleitorado de direita não bolsonarista mostra variações na indecisão, que subiu de 46% em junho para 57% em julho, após uma queda em meses anteriores. Entre os bolsonaristas, a dúvida também aumentou, com 49% afirmando não saber em quem votar, contra 39% em maio. A convicção dos eleitores de Flávio Bolsonaro diminuiu, com 37% admitindo possibilidade de mudança de voto em julho, ante 30% em junho, enquanto a decisão firme caiu de 70% para 62%. Já os eleitores de Lula apresentaram aumento na convicção, de 71% para 77%, e redução na possibilidade de mudança, de 29% para 23%. O diretor da Quaest interpreta esses dados como um indicativo de um processo de transição na opinião pública, com crescimento da confiança em Lula e desgaste para Flávio Bolsonaro, embora ressalte que pesquisas refletem o momento atual e podem variar. Em relação à aprovação do governo Lula, houve avanço de cinco pontos percentuais nos últimos quatro meses, passando de 43% em abril para 48% em julho. Esse aumento é atribuído a medidas como o programa Desenrola 2.0, que auxiliou na redução do endividamento dos brasileiros, a expectativa sobre o fim da escala 6×1 e a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil. Apesar da melhora na avaliação do governo, Lula parece ter atingido um teto nas intenções de voto, mantendo-se em torno de 40% desde fevereiro. Nos cenários simulados de segundo turno, o presidente apresenta cerca de 45% contra diversos adversários, índice estável nos últimos cinco meses. O cenário eleitoral para 2026, portanto, mostra estabilidade na liderança de Lula, mas com desafios para Flávio Bolsonaro e espaço aberto para candidatos da direita não bolsonarista, que terão a campanha como momento crucial para ampliar sua visibilidade e conquistar eleitores indecisos.

Contexto

A pesquisa Quaest foi realizada em meio a um ambiente político marcado por polêmicas envolvendo Flávio Bolsonaro, especialmente após a divulgação de conversas sobre financiamento para o filme “Dark Horse”. O cenário eleitoral de 2026 ainda está em formação, com o início oficial da campanha previsto para 16 de agosto. O estudo reflete tendências atuais, destacando a volatilidade do eleitorado, o crescimento da indecisão e a estabilidade da liderança do presidente Lula, que tem implementado políticas econômicas e sociais que influenciam sua aprovação.

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