Eleitorado negro e pardo atinge recorde de 20 milhões nas eleições de 2026, aponta TSE
Dados do Tribunal Superior Eleitoral revelam crescimento significativo na autodeclaração racial, refletindo avanços sociais e maior representatividade.
Dados do Tribunal Superior Eleitoral revelam crescimento significativo na autodeclaração racial, refletindo avanços sociais e maior representatividade.
As eleições de 2026 no Brasil registram o maior número de eleitores que se identificam como pretos ou pardos, totalizando 20,5 milhões, conforme dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Esse número representa quase 13% do eleitorado apto a votar, evidenciando um cenário eleitoral mais diverso e representativo.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulgou nesta segunda-feira (20) dados que indicam um crescimento expressivo na autodeclaração racial dos eleitores para as eleições de 2026. Ao todo, 20,5 milhões de pessoas se declararam negras, incluindo pretos e pardos, o que corresponde a cerca de 13% do total de 158,7 milhões de eleitores com situação regularizada. Essa é a maior proporção já registrada na série histórica do cadastro eleitoral.
A autodeclaração de raça ou cor é um campo voluntário no cadastro da Justiça Eleitoral e passou a ser comparável a partir das eleições gerais de 2022. A comparação mais recente é entre os dados das eleições municipais de 2024 e as eleições gerais de 2026, já que Fernando de Noronha (PE) e o Distrito Federal não participam do pleito municipal, reduzindo o número de eleitores em 2024.
Entre as principais variações, destacam-se:
– Pardos: aumento de 8,5 milhões para 16,9 milhões, quase dobrando;
– Pretos: crescimento de 1,8 milhão para 3,6 milhões, também quase dobrando;
– Amarelos: mais que dobraram, passando de 114,4 mil para 229,5 mil;
– Indígenas: alta de 84,47%, de 155,7 mil para 287,1 mil;
– Brancos: mais que dobraram, de 5,3 milhões para 11,7 milhões.
Paralelamente, o número de eleitores que não informaram raça ou cor caiu de 140 milhões para 126 milhões. Segundo o Censo 2022 do IBGE, a população negra no Brasil é estimada em 112,7 milhões, representando 55,5% do total.
A ex-ministra do TSE Vera Lúcia Santana Araújo, segunda mulher negra a integrar o tribunal, atribui o aumento da autodeclaração a políticas públicas de combate ao racismo e à promoção da igualdade racial. Ela ressalta que o movimento negro brasileiro tem sido fundamental para fortalecer a autoestima da população negra, que historicamente enfrentou estigmas ligados à negritude.
“Ser negro no Brasil, que é racista, significa ser excluído e ter a autoestima baixa. Trabalhar afirmativamente a identidade negra permite que as pessoas se vejam de forma positiva e socialmente reconhecida”, afirmou Vera Lúcia. Ela também destacou a importância da primeira Marcha das Mulheres Negras, realizada em 2015 com cerca de 50 mil participantes em Brasília, e que se repetiu no ano passado, como um marco para a afirmação da identidade negra.
Apesar dos avanços, a ex-ministra aponta que a representatividade negra no Congresso Nacional ainda é desproporcional em relação à população majoritariamente negra do país.
Nas eleições de 2026, além da escolha do presidente e vice-presidente, os eleitores votarão para 27 governadores e vice-governadores, 513 deputados federais, 54 senadores (dois terços do Senado), 1.035 deputados estaduais e 24 deputados distritais. O primeiro turno está marcado para 4 de outubro, com eventual segundo turno em 25 de outubro para cargos majoritários.
O voto no Brasil é obrigatório para maiores de 18 anos e facultativo para analfabetos, jovens de 16 e 17 anos e maiores de 70 anos. Eleitores que não comparecerem ao pleito podem justificar ausência pelo aplicativo e-Título no dia da eleição ou, posteriormente, no cartório eleitoral, evitando multas. A penalidade por ausência sem justificativa pode variar entre 3% e 10% do valor base de R$ 35,13, podendo ser ajustada conforme a situação econômica do eleitor. Quem declarar pobreza fica isento do pagamento.
Eleitores que deixarem de votar ou justificar ausência em três eleições consecutivas ficam impedidos de obter passaporte, carteira de identidade, inscrever-se em concursos públicos e tomar posse em cargos públicos.
Contexto
A coleta de dados sobre raça e cor no cadastro eleitoral brasileiro iniciou-se em 2014, mas só após as eleições gerais de 2022 esses dados passaram a permitir comparações consistentes. O aumento da autodeclaração reflete avanços nas políticas de inclusão racial e o fortalecimento do movimento negro no país. Segundo o IBGE, a população negra já representa a maioria da população brasileira, mas a representatividade política ainda está em desenvolvimento. As eleições de 2026 serão decisivas para consolidar essa diversidade no cenário político nacional.