
Após 37 anos, o político retorna à corrida presidencial buscando unir conservadores e fortalecer políticas de segurança e economia.
Ronaldo Caiado, governador de Goiás, oficializou sua candidatura à Presidência da República em 2026 pelo PSD, apostando na união do eleitorado conservador e apresentando propostas que abrangem segurança pública, economia e programas sociais.
Ronaldo Caiado, médico ortopedista e político com longa trajetória, tenta pela segunda vez a Presidência da República, 37 anos após sua primeira candidatura em 1989. Filiado ao PSD desde março de 2026, Caiado venceu a disputa interna pelo nome do partido após a desistência de Ratinho Junior e a superação do governador Eduardo Leite. Com 76 anos, o governador de Goiás busca ampliar sua influência nacional após consolidar sua carreira no estado.
Sua história política começou na década de 1980 como presidente da União Democrática Ruralista (UDR), entidade que representava interesses do setor rural contra o Plano Nacional de Reforma Agrária. Em 1989, concorreu à Presidência em uma eleição marcada por 22 candidatos, incluindo Luiz Inácio Lula da Silva, mas obteve menos de 1% dos votos.
Posteriormente, Caiado foi eleito deputado federal por Goiás em 1990 com a maior votação do estado, retornando à Câmara em mandatos consecutivos após tentativas frustradas de governança estadual. Em 2014, elegeu-se senador pelo Democratas, partido que passou por diversas transformações até a fusão que originou o União Brasil, legenda da qual Caiado saiu em 2026 para ingressar no PSD.
Em 2018, foi eleito governador de Goiás no primeiro turno, sendo reeleito em 2022, e renunciou ao cargo em março de 2026 para concorrer à Presidência. Durante sua gestão, enfrentou desafios jurídicos, como a condenação em primeira instância por abuso de poder político em 2024, decisão revertida pelo Tribunal Regional Eleitoral de Goiás em 2025.
Na campanha presidencial, Caiado aposta em uma plataforma conservadora, com ênfase na segurança pública. Propõe a integração das polícias estaduais com a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal para combater o crime organizado de forma mais eficiente. Na área econômica, defende a ampliação da exploração e processamento de minerais estratégicos, como as terras raras, em parceria com países como Estados Unidos e Japão.
No campo social, o candidato apresenta a ideia de substituir programas assistenciais tradicionais por políticas de emancipação, valorizando a autonomia financeira dos beneficiários. Em discurso inicial como pré-candidato, destacou a importância de promover a independência econômica dos cidadãos.
Além disso, Caiado manifestou apoio a uma anistia ampla para os condenados e investigados pelos atos golpistas ocorridos em 2022 e 2023, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro, posicionamento que reforça sua ligação com o eleitorado conservador e do agronegócio.
Seus principais aliados na campanha são Gilberto Kassab, presidente do PSD e candidato a vice-presidente; Daniel Vilela, ex-vice-governador e atual governador de Goiás pelo MDB; e Sandro Mabel, prefeito de Goiânia pelo União Brasil.
A trajetória política de Caiado é marcada por sua origem em uma família com raízes espanholas que migraram ao Brasil no século XVIII, consolidando-se como influente na política goiana desde o século XIX, especialmente após a Revolução de 1909, liderada por seu avô Totó Caiado.
Com experiência legislativa e executiva, além de uma base eleitoral sólida em Goiás, Ronaldo Caiado busca ampliar seu alcance nacional para disputar o Palácio do Planalto em 2026, apostando em pautas conservadoras e propostas voltadas para segurança, economia e políticas sociais.
Contexto
Ronaldo Caiado disputou a Presidência pela primeira vez em 1989, eleição que marcou o retorno do Brasil à democracia com a primeira eleição direta após a ditadura militar. Desde então, construiu carreira como deputado federal, senador e governador de Goiás. O atual cenário político brasileiro apresenta uma polarização entre forças conservadoras e progressistas, com a disputa presidencial de 2026 sendo considerada uma das mais concorridas. Caiado tenta se posicionar como representante do eleitorado conservador e do agronegócio, buscando consolidar alianças estratégicas e apresentar propostas que dialoguem com esses segmentos.