
Ministra Estela Aranha pediu vista e interrompeu julgamento que discute retirada de pesquisa após questionamentos do PL
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) adiou nesta terça-feira (9) a análise do recurso que questiona a decisão do presidente da Corte, ministro Kassio Nunes Marques, que determinou a suspensão da divulgação de uma pesquisa do Instituto AtlasIntel apontando queda nas intenções de voto do senador Flávio Bolsonaro.
A decisão individual do ministro Kassio Nunes Marques, tomada na segunda-feira (8), determinou a retirada imediata da pesquisa do Instituto AtlasIntel de todos os canais oficiais, proibindo também nova divulgação ou impulsionamento até que o TSE conclua a análise do caso. A pesquisa, realizada entre 13 e 18 de maio, mostrou uma redução de cinco pontos percentuais nas intenções de voto para o pré-candidato do PL, Flávio Bolsonaro.
O julgamento foi interrompido após pedido de vista da ministra Estela Aranha, que solicitou mais tempo para avaliar os argumentos apresentados. Com isso, a decisão individual do presidente do TSE permanece válida até a retomada da sessão, que ainda não tem data definida.
O caso ganhou repercussão após a divulgação de um áudio em que Flávio Bolsonaro solicita recursos financeiros ao banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, para a produção de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. O PL alegou que o questionário da pesquisa foi estruturado de forma a induzir respostas negativas, especialmente por incluir oito perguntas consecutivas relacionadas ao Banco Master, o que, segundo o partido, comprometeria a imparcialidade do levantamento.
O ministro Kassio Nunes Marques destacou que a controvérsia vai além de divergências metodológicas e envolve a possibilidade de o questionário ter sido utilizado como instrumento para influenciar os entrevistados, criando uma narrativa que poderia impactar negativamente a candidatura de Flávio Bolsonaro. Ele ressaltou ainda que outras 27 pesquisas realizadas pela AtlasIntel não apresentaram questionamentos semelhantes.
Durante a sessão, ministros ressaltaram a importância do tema para todas as campanhas eleitorais e indicaram a necessidade de estabelecer critérios claros para pesquisas eleitorais. Kassio Nunes Marques anunciou a intenção de abrir um canal de diálogo com institutos de pesquisa para discutir parâmetros técnicos e éticos.
O ministro Dias Toffoli, que tem se declarado suspeito em processos relacionados ao Banco Master no Supremo Tribunal Federal (STF), deve participar da análise no TSE. A composição atual da Corte e sua postura em casos eleitorais delicados têm sido acompanhadas com atenção, especialmente em relação à gestão mais discreta e menos intervencionista que o presidente do TSE pretende adotar.
A AtlasIntel, por sua vez, emitiu nota afirmando que respeita a decisão do ministro e está colaborando com o tribunal ao fornecer informações sobre a metodologia utilizada. A empresa confia que a análise técnica do TSE confirmará a robustez e legalidade do estudo.
A pesquisa entrevistou 5.032 eleitores em todo o Brasil, apresentando margem de erro de 1 ponto percentual e nível de confiança de 95%. O PL argumenta que o levantamento cria um contexto negativo que pode influenciar a opinião pública, indo além da simples medição de intenções de voto.
O julgamento no TSE é considerado um indicativo do perfil da Corte para as eleições de outubro, refletindo como temas sensíveis serão tratados no âmbito da Justiça Eleitoral.
Contexto
Kassio Nunes Marques assumiu a presidência do Tribunal Superior Eleitoral em maio de 2026 e será responsável pela condução das eleições presidenciais de outubro. O caso da suspensão da pesquisa AtlasIntel ocorre em meio a um cenário político tenso, marcado por investigações e controvérsias envolvendo membros do PL, partido do senador Flávio Bolsonaro. O TSE tem buscado equilibrar a liberdade de divulgação de pesquisas eleitorais com a necessidade de garantir a lisura e a transparência nos processos eleitorais. A decisão sobre a pesquisa AtlasIntel poderá estabelecer precedentes importantes sobre o papel das pesquisas e sua influência no ambiente político-eleitoral brasileiro.