
Primeira vez desde 2014 que a direita supera a esquerda no espectro ideológico, segundo pesquisa com 2.004 brasileiros.
Uma pesquisa do Datafolha divulgada em 3 de julho de 2026 aponta que 44% dos brasileiros se posicionam ideologicamente à direita, enquanto 39% se identificam com a esquerda. O levantamento, realizado nos dias 17 e 18 de junho, ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais em 139 municípios, com margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou menos.
O Instituto Datafolha apresentou nesta sexta-feira (3) os resultados de uma pesquisa que revela uma mudança significativa no posicionamento político dos brasileiros. De acordo com o levantamento, 44% dos entrevistados se enquadram na direita, incluindo centro-direita, enquanto 39% se identificam com a esquerda, somando centro-esquerda e esquerda. O restante, 17%, se posiciona no centro do espectro político.
A metodologia do estudo não se baseou em uma pergunta direta sobre orientação política, mas sim em uma análise comportamental e ideológica, que considerou valores sociais, culturais, econômicos e políticos. O levantamento classificou 15% dos entrevistados como direita, 29% como centro-direita, 17% como centro, 26% como centro-esquerda e 13% como esquerda.
Este é o primeiro momento desde 2014 em que a direita ultrapassa a esquerda no Brasil, conforme o Datafolha. Naquela ocasião, durante o governo Dilma Rousseff (PT), a direita alcançava 45% e a esquerda 35%. Em 2022, o cenário era inverso, com 49% dos brasileiros se identificando com a esquerda e 34% com a direita.
O perfil dos entrevistados também revelou diferenças por gênero e religião. Entre os homens, 50% se colocam à direita e 33% à esquerda. Já entre as mulheres, a esquerda predomina com 44%, contra 37% da direita. Em termos religiosos, 52% dos evangélicos se identificam com a direita, 30% com a esquerda e 18% com o centro. Entre católicos, o equilíbrio é maior, com 43% à direita, 39% à esquerda e 18% no centro.
Questões comportamentais e econômicas foram consideradas para a classificação ideológica. Em temas de comportamento, a direita ampliou sua adesão de 39% para 52% desde 2022, enquanto a esquerda caiu de 42% para 29%, com 20% se posicionando no centro em 2026. Em contrapartida, a esquerda mantém vantagem em temas econômicos.
O estudo também apontou mudanças nas opiniões sobre segurança e costumes. O apoio à posse legal de armas subiu de 35% para 41%, enquanto a defesa da proibição da posse caiu de 63% para 55%. Quanto à percepção sobre as causas da pobreza, 40% dos entrevistados atribuem a “preguiça de pessoas que não querem trabalhar” como principal motivo, um aumento em relação aos 22% registrados anteriormente. Por outro lado, 58% consideram que a falta de oportunidades iguais é a causa da pobreza, uma queda em relação aos 76% anteriores.
A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-09956/2026 e possui nível de confiança de 95%.
Contexto
Desde 2014, o Datafolha acompanha o posicionamento ideológico dos brasileiros, observando variações significativas ao longo dos anos. Durante o governo Dilma Rousseff, a direita liderava o espectro político, enquanto em 2022 a esquerda ganhou predominância. O atual levantamento indica uma retomada da direita, refletindo mudanças nas percepções sociais, econômicas e culturais do país, especialmente em temas comportamentais e de segurança.