
Preferência por redução da carga tributária cresce em relação a 2022, com diferenças marcantes entre gêneros, religiões e eleitores presidenciais.
Pesquisa Datafolha divulgada em 3 de julho de 2026 aponta que 50% dos brasileiros preferem pagar menos impostos e recorrer a serviços privados de saúde e educação, enquanto 44% defendem o aumento da carga tributária para garantir serviços públicos gratuitos. O levantamento mostra mudanças significativas em relação ao ano anterior e revela variações conforme gênero, religião e intenção de voto.
O Instituto Datafolha apresentou nesta sexta-feira (3) os resultados de sua mais recente pesquisa sobre a percepção dos brasileiros em relação à carga tributária e à oferta de serviços públicos. Segundo o levantamento, metade dos entrevistados prefere pagar menos impostos e contratar serviços privados, como saúde e educação, em vez de contribuir mais para manter esses serviços gratuitos oferecidos pelo Estado. Em contrapartida, 44% dos brasileiros defendem o aumento dos tributos para garantir o acesso gratuito a esses serviços.
A pesquisa, realizada presencialmente entre os dias 17 e 18 de junho de 2026, ouviu 2.004 eleitores com 16 anos ou mais em 139 municípios de todo o país. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, e o estudo está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-09956/2026.
Comparado ao levantamento anterior, feito em 2022, houve uma mudança no posicionamento dos brasileiros. Naquela ocasião, as opiniões estavam praticamente empatadas: 46% preferiam pagar menos impostos e usar serviços privados, enquanto 48% defendiam pagar mais tributos para usufruir de serviços públicos gratuitos.
A pesquisa também identificou diferenças significativas entre homens e mulheres. Entre os homens, 56% optam por pagar menos impostos e recorrer ao setor privado, enquanto 39% preferem contribuir mais para ter serviços públicos gratuitos. Já entre as mulheres, a maioria de 50% defende o aumento dos impostos para garantir serviços públicos, contra 44% que preferem pagar menos e contratar serviços particulares.
No recorte por religião, os evangélicos são os que mais apoiam a redução da carga tributária, com 56% preferindo pagar menos impostos, enquanto 37% optam pelo aumento dos tributos para financiar serviços públicos. Entre os católicos, as posições estão equilibradas, com 47% para cada lado.
O levantamento também analisou a opinião dos eleitores conforme sua intenção de voto para a Presidência da República. Entre os apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), 59% defendem pagar mais impostos para garantir serviços públicos gratuitos, enquanto 35% preferem pagar menos e contratar serviços privados. Já entre os eleitores de Flávio Bolsonaro (PL), 65% preferem a redução dos impostos, e 29% apoiam o aumento da carga tributária para serviços públicos.
De acordo com o Datafolha, essa questão integra um conjunto de indicadores que avaliam o posicionamento econômico dos brasileiros, não representando isoladamente a classificação ideológica dos entrevistados. O estudo faz parte da matriz ideológica do instituto e aborda temas relacionados ao papel do Estado na economia, incluindo atuação governamental, benefícios públicos, legislação trabalhista, investimentos e apoio estatal a empresas.
Contexto
A pesquisa Datafolha sobre a preferência dos brasileiros entre pagar menos impostos e contratar serviços privados ou pagar mais tributos para ter serviços públicos gratuitos reflete um debate antigo no país sobre o papel do Estado e a carga tributária. Em 2022, as opiniões estavam equilibradas, mas a atual pesquisa indica uma tendência crescente à preferência pela redução dos impostos. As diferenças por gênero, religião e intenção de voto mostram como fatores sociais e políticos influenciam essa percepção. O levantamento é fundamental para entender as demandas e expectativas da população em relação às políticas públicas e à economia brasileira no período pré-eleitoral de 2026.