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Política Nacional

Salários de presidentes de partidos políticos chegam a R$ 52,5 mil mensais em 2025

Levantamento detalha pagamentos feitos a dirigentes nacionais de partidos políticos brasileiros em 2025, com destaque para origem dos recursos e variações entre siglas.

Salários de presidentes de partidos políticos chegam a R$ 52,5 mil mensais em 2025 - salário presidentes de partido

Salários de presidentes de partidos políticos chegam a R$ 52,5 mil mensais em 2025 - salário presidentes de partido

Levantamento detalha pagamentos feitos a dirigentes nacionais de partidos políticos brasileiros em 2025, com destaque para origem dos recursos e variações entre siglas.

Os presidentes nacionais de partidos políticos no Brasil receberam até R$ 52,5 mil mensais em 2025, totalizando quase R$ 3 milhões em pagamentos, a maior parte financiada pelo Fundo Partidário, segundo dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Um levantamento realizado a partir das prestações de contas de 2025 das direções nacionais dos 30 partidos registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) revelou que os presidentes partidários receberam pagamentos que chegaram a R$ 630,5 mil ao longo do ano, o que equivale a R$ 52,5 mil por mês. O montante total pago a dez dirigentes somou R$ 2,95 milhões, dos quais 96% foram custeados com recursos do Fundo Partidário, composto majoritariamente por verba pública do Orçamento da União, multas eleitorais, doações e outras fontes previstas em lei.

O maior valor foi destinado a Ovasco Roma Altimari Resende, presidente do Partido da Renovação Democrática (PRD), que recebeu R$ 630,5 mil em 2025, integralmente pagos pelo Fundo Partidário. O PRD, fundado em 2023 a partir da fusão entre PTB e Patriota, declarou R$ 42,6 milhões em despesas naquele ano, e os valores pagos a Ovasco representaram 1,38% desse total. O dirigente explicou que sua remuneração é um pró-labore instituído desde 2008, após decisão da Executiva Nacional, e que seu trabalho envolve a gestão da estrutura nacional do partido, coordenação jurídica, contábil, comunicação, acompanhamento dos diretórios estaduais e viagens pelo país.

Em segundo lugar, José Luiz Penna, presidente do Partido Verde (PV), recebeu R$ 501,4 mil em pagamentos ao longo de 2025, também financiados exclusivamente pelo Fundo Partidário. O PV declarou R$ 12,9 milhões em despesas no ano, com os valores pagos a Penna representando 4,65% desse total. A legenda destacou que os pagamentos são aprovados pela Executiva Nacional como parte de seus procedimentos internos de governança e transparência.

No Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto recebeu R$ 404,7 mil por serviços técnico-profissionais prestados ao partido, pagos integralmente com recursos do Fundo Partidário. O PL declarou despesas de R$ 155 milhões em 2025, e o valor pago a Valdemar representou 0,41% do total. O partido não respondeu até a publicação da reportagem.

O partido Novo remunerou seu presidente, Eduardo Ribeiro, com R$ 337 mil em salários e ordenados durante 2025, pagos também com recursos do Fundo Partidário. A legenda declarou R$ 34,2 milhões em despesas e informou que, desde 2023, exige dedicação exclusiva dos dirigentes, com remuneração prevista e aprovada pela Convenção Nacional. O Novo destacou que essa profissionalização contribuiu para o crescimento expressivo do número de filiados e da representação eleitoral.

Renata Abreu, presidente do Podemos, recebeu R$ 322,1 mil classificados como serviços técnico-profissionais, pagos com Fundo Partidário. O Podemos declarou R$ 58,6 milhões em despesas e não respondeu ao pedido de manifestação.

Carlos Lupi, presidente do PDT, recebeu R$ 270 mil entre maio e dezembro de 2025, com pagamentos classificados como outras despesas com pessoal e financiados integralmente pelo Fundo Partidário. O PDT afirmou que a remuneração é definida pela Executiva Nacional conforme o estatuto do partido e as atividades do cargo.

Edinho Silva, presidente do PT desde julho de 2025, teve R$ 239,4 mil em despesas registradas em seu nome, incluindo R$ 201 mil relacionados a serviços técnico-profissionais e pessoal, pagos parcialmente com Fundo Partidário e outras fontes do partido. Também foram registradas despesas com aluguel, condomínio, alimentação e seguro, consideradas reembolsos e não incluídas no cálculo de remuneração. O PT destacou que os pagamentos seguem normas da Justiça Eleitoral e referem-se a atividades institucionais.

Paula Coradi, presidente do PSOL, recebeu R$ 146,8 mil em 2025, pagos como serviços técnico-profissionais pelo Fundo Partidário. O PSOL explicou que a remuneração é feita como autônoma por não haver vínculo trabalhista regido pela CLT para dirigentes partidários e que os valores são lançados nessa categoria devido às limitações do sistema do TSE.

Outros partidos, como Rede Sustentabilidade e Unidade Popular (UP), também registraram pagamentos a seus presidentes. Paulo Lamac, da Rede, recebeu R$ 95,5 mil, enquanto Leonardo Péricles, da UP, teve R$ 39,3 mil pagos com recursos próprios do partido. A UP explicou que seus recursos provêm de contribuições de filiados e doações.

Em alguns casos, foram identificados pagamentos a pessoas jurídicas ligadas a dirigentes, como no partido Agir, que pagou R$ 249,2 mil a um escritório de advocacia vinculado ao presidente Daniel Tourinho. Esses valores não foram contabilizados como remuneração pessoal, pois se referem a serviços contratados.

Especialistas em Direito Eleitoral consultados destacam que não há uma legislação específica que fixe teto para pagamento a presidentes partidários, embora a Lei dos Partidos Políticos limite gastos com pessoal a 50% do Fundo Partidário para direções nacionais. A remuneração pode ser classificada como salários ou serviços técnico-profissionais, dependendo da natureza das atividades exercidas pelo dirigente.

O levantamento considerou apenas pagamentos efetivamente realizados em 2025, excluindo reembolsos e despesas não relacionadas diretamente à remuneração, e não encontrou registros de pagamento para 18 dos 30 presidentes nacionais pesquisados, o que pode indicar diferentes formas de remuneração ou ausência dela.

Contexto

O Fundo Partidário é uma fonte pública que financia as atividades permanentes dos partidos políticos, incluindo despesas com pessoal e serviços técnicos. A Lei nº 9.096/1995, conhecida como Lei dos Partidos Políticos, regula a organização e funcionamento das legendas, mas não estabelece teto específico para remuneração de dirigentes. O teto constitucional do funcionalismo público é de R$ 46.366,19 mensais, mas não se aplica automaticamente aos presidentes partidários. A prestação de contas anual dos partidos ao TSE detalha os pagamentos feitos, permitindo análises sobre a destinação dos recursos públicos e privados dentro das agremiações.

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