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Governo anuncia endurecimento na fiscalização do frete para evitar nova greve de caminhoneiros

Ministério dos Transportes apresenta pacote de medidas contra empresas que descumprem piso mínimo do frete, enquanto governo busca reduzir preço do diesel com apoio dos estados

Ministério dos Transportes apresenta pacote de medidas contra empresas que descumprem piso mínimo do frete, enquanto governo busca reduzir preço do diesel com apoio dos estados

Nesta quarta-feira (18), o governo federal divulga um conjunto de ações para reforçar a fiscalização do piso mínimo do frete, com o objetivo de coibir irregularidades e evitar paralisações dos caminhoneiros diante da alta nos preços do diesel. O anúncio será feito pelo ministro dos Transportes, Renan Filho, e pelo diretor-geral da ANTT, Guilherme Sampaio.

O governo federal prepara um pacote de medidas para intensificar o controle sobre o cumprimento do piso mínimo do frete, regra criada após a greve dos caminhoneiros em 2018 para garantir que os motoristas recebam valores justos pelo transporte de cargas. O anúncio oficial ocorreu na manhã desta quarta-feira (18), no Ministério dos Transportes, com a presença do ministro Renan Filho e do diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Guilherme Sampaio.

O conjunto de ações tem como foco principal punir as empresas que não respeitam a tabela obrigatória, que define o valor mínimo a ser pago pelo frete com base em variáveis como tipo de carga, distância percorrida e número de eixos do veículo. Segundo fontes governamentais, as medidas incluem a suspensão imediata do registro das transportadoras infratoras, a cassação do registro em caso de reincidência, além da divulgação pública dos nomes das principais empresas que descumprirem as normas. Também está prevista a fiscalização integral, ou seja, 100% das operações das transportadoras reincidentes serão monitoradas.

O Ministério dos Transportes avalia que a fiscalização atual tem baixa efetividade, o que permite que algumas empresas paguem fretes abaixo do piso estabelecido, prejudicando os caminhoneiros. Com as novas medidas, o governo pretende atender uma das reivindicações centrais da categoria e evitar uma nova paralisação nacional.

Paralelamente, o governo reconhece que o aumento do preço do diesel é um fator que alimenta o descontentamento dos caminhoneiros. Na semana passada, o Executivo federal zerou as alíquotas de PIS e Cofins sobre o diesel, mas o impacto dessa medida pode ser limitado caso os estados não reduzam o ICMS sobre os combustíveis. Governadores têm resistido à diminuição do imposto estadual, alegando perdas fiscais acumuladas.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já havia solicitado aos governadores que revisassem o ICMS dos combustíveis para aliviar o preço do diesel. Nesta quarta-feira, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, anunciou que realizará reuniões com representantes estaduais para reforçar o pedido de redução do imposto. A área econômica do governo avalia que, sem a colaboração dos estados, o preço final do diesel continuará elevado, aumentando o risco de novas greves no setor.

O Procon e a Agência Nacional do Petróleo (ANP) também intensificaram a fiscalização em postos de combustíveis para coibir abusos nos preços do diesel, conforme levantamento recente que apontou aumento de 20,24% no valor do combustível em Poços de Caldas (MG).

Contexto

O piso mínimo do frete foi instituído após a greve nacional dos caminhoneiros em 2018, que paralisou o país por vários dias e gerou impactos econômicos significativos. A tabela tem o objetivo de evitar que os motoristas aceitem valores abaixo do custo operacional, garantindo remuneração justa pelo transporte de cargas. Desde então, a fiscalização tem sido um desafio para o governo, com denúncias frequentes de descumprimento por parte de transportadoras. O aumento recente do preço do diesel, influenciado por impostos federais e estaduais, reacendeu tensões no setor, motivando o Executivo a tomar medidas mais rigorosas para evitar uma nova paralisação que possa afetar a cadeia logística nacional.

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