Investigações

PF realiza perícia para apurar se dados de Daniel Vorcaro foram copiados em HD externo

Investigação do STF busca identificar acessos não autorizados ao material apreendido na CPMI do INSS

Investigação do STF busca identificar acessos não autorizados ao material apreendido na CPMI do INSS

A Polícia Federal está conduzindo uma análise detalhada para verificar se arquivos com informações do banqueiro Daniel Vorcaro foram copiados para dispositivos externos. O material, recolhido na sala-cofre da CPMI do INSS, inclui dados sigilosos e imagens que podem envolver políticos do Centrão.

Na última terça-feira (17), a Polícia Federal finalizou a formatação dos computadores localizados na sala-cofre da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, onde estavam armazenados os arquivos referentes às quebras de sigilo do empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. Todo o conteúdo, que abrange fotos, vídeos e documentos extraídos dos celulares do banqueiro, foi removido para perícia. Entre os arquivos privados, há registros que envolvem políticos ligados ao Centrão, o que pode ser relevante para as investigações em curso.

O objetivo da perícia é identificar se houve cópia dos dados para um HD externo, além de mapear eventuais acessos não autorizados aos computadores. O resultado será encaminhado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), responsável pela relatoria do caso. Apesar disso, o ministro não solicitou o caderno de anotações da CPMI nem o sistema de monitoramento interno da comissão, que poderiam esclarecer quem acessou o material e se houve vazamento de informações.

Após a triagem, a Polícia Federal deve devolver os equipamentos à CPMI, excluindo conteúdos classificados pelo ministro como relacionados à vida íntima, preservando assim a privacidade do investigado. A análise do material exige cautela, pois parte dos arquivos pode conter informações pessoais, mas que ainda assim têm potencial relevância para a apuração.

Fontes próximas à investigação destacam a complexidade de separar conteúdos estritamente pessoais daqueles que podem contribuir para esclarecer conexões políticas e responsabilidades. Por exemplo, conversas íntimas sem relação com o caso são diferenciadas de diálogos que mencionam autoridades, encontros com ministros ou líderes partidários. Fotos de eventos sociais, jantares e encontros também são avaliadas, pois podem indicar relações importantes para o entendimento do contexto investigado.

Segundo os investigadores, Vorcaro aparentava buscar proteção diante de possíveis desdobramentos judiciais, o que torna o material apreendido fundamental para a compreensão do caso. Na noite de segunda-feira (16), o ministro André Mendonça determinou o bloqueio imediato do acesso ao conteúdo armazenado na sala-cofre da CPMI, visando preservar o sigilo e evitar contestações futuras que possam anular a investigação.

Em sua decisão, Mendonça ressaltou a necessidade de urgência na medida, proibindo qualquer pessoa de acessar os equipamentos e documentos apreendidos do investigado. O ministro é o relator das investigações relacionadas ao caso Master no STF.

Entre os conteúdos já identificados nos dispositivos de Vorcaro, estão mensagens trocadas com a ex-noiva do banqueiro, a modelo e influenciadora Martha Graeff, que incluem conversas de caráter íntimo. A defesa de Graeff emitiu nota afirmando que a modelo está sendo vítima de “grave violência” e que estuda medidas judiciais para proteger seus direitos.

Contexto

A investigação sobre Daniel Vorcaro ganhou destaque após a CPMI do INSS apreender documentos e dispositivos eletrônicos que podem revelar esquemas financeiros e relações políticas envolvendo o banqueiro. O caso está sob a relatoria do ministro André Mendonça no Supremo Tribunal Federal, que tem adotado medidas para garantir a integridade e o sigilo das informações durante o processo investigativo. A atuação da Polícia Federal e o controle rigoroso do acesso aos dados são fundamentais para evitar vazamentos e assegurar a lisura das apurações.

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