Política Nacional

Pastora Helena Raquel critica omissão da igreja diante da violência doméstica e abuso infantil

Líder evangélica do Rio de Janeiro alerta contra a proteção de abusadores sob a justificativa da ‘unção’ e defende o afastamento imediato de criminosos na igreja.

Líder evangélica do Rio de Janeiro alerta contra a proteção de abusadores sob a justificativa da 'unção' e defende o afastamento imediato de criminosos na igreja.

Durante o 41º Congresso Internacional de Missões dos Gideões Missionários da Última Hora, a pastora Helena Raquel denunciou a omissão de líderes religiosos frente à violência doméstica, abuso sexual e pedofilia, criticando interpretações equivocadas que protegem agressores dentro das igrejas evangélicas.

A pastora Helena Raquel, líder da Assembleia de Deus Vida na Palavra (ADPIV) no Rio de Janeiro, ganhou destaque nacional após um discurso contundente no 41º Congresso Internacional de Missões dos Gideões Missionários da Última Hora, realizado em Camboriú (SC). No evento, que reúne milhares de cristãos presencialmente e milhões por transmissões online, ela abordou a grave distorção teológica que tem protegido líderes religiosos acusados de crimes como violência doméstica, abuso sexual e pedofilia.

Em entrevista ao Estúdio i da GloboNews, Helena Raquel questionou a ideia de que a “unção” conferiria imunidade a comportamentos inadequados. “Quando foi que Deus passou a mão na cabeça de um ungido que tenha tido um comportamento inadequado? O pedófilo não é ungido, é criminoso”, afirmou. Ela destacou que essa interpretação errada tem levado a reverenciar abusadores como se fossem intocáveis, o que, segundo ela, é um grave equívoco que prejudica vítimas e a saúde espiritual das comunidades.

O discurso da pastora teve grande repercussão nas redes sociais, com um trecho direcionado especialmente às mulheres que sofrem violência em relacionamentos abusivos alcançando 11 milhões de visualizações no Instagram até o dia 5 de maio. Nesse segmento, Helena Raquel exortou as mulheres a buscarem proteção e a denunciarem seus agressores: “Pare de orar por ele hoje e comece a orar por você. Você precisa ter coragem para sair, denunciar e buscar um lugar seguro. E não acredite em pedidos de desculpa, porque quem agride mata”.

Além de criticar a proteção equivocada a criminosos dentro das igrejas, a pastora também denunciou a manipulação do conceito de submissão feminina, que muitas vezes é usado para justificar a permanência de mulheres em situações de violência. “Se isso não for explicado, vai dar a entender que a mulher tem que ser submissa a um delinquente, submissa ao abusador, submissa a um violento”, explicou. Para ela, essa interpretação é uma maldade deliberada que compromete os ensinamentos saudáveis que líderes religiosos responsáveis buscam promover.

Helena Raquel defende que a igreja deve assumir uma postura firme contra qualquer tipo de agressão, afastando imediatamente os agressores e oferecendo suporte às vítimas. Ela enfatiza que crimes como a pedofilia não podem ser protegidos por corporativismo religioso ou por interpretações bíblicas equivocadas. A pastora conclui que a responsabilidade dos líderes é proteger a vida e a dignidade das pessoas, especialmente das crianças e mulheres vulneráveis.

O 41º Congresso Internacional de Missões dos Gideões Missionários da Última Hora é um dos principais eventos do meio evangélico brasileiro, com ampla participação presencial e alcance digital, o que potencializou a disseminação da mensagem de Helena Raquel. A repercussão do seu discurso evidencia um debate urgente sobre ética, justiça e proteção dentro das igrejas brasileiras.

Contexto

Nos últimos anos, denúncias de abusos e violência dentro de instituições religiosas têm ganhado maior visibilidade no Brasil. Muitas lideranças evangélicas têm sido questionadas pela forma como lidam com casos de violência doméstica, abuso sexual e pedofilia, especialmente quando os acusados são membros influentes ou líderes. A discussão sobre o conceito de submissão feminina e seu uso para justificar a permanência em relações abusivas também tem sido tema de debates no meio religioso e social. O discurso da pastora Helena Raquel insere-se nesse contexto, ao desafiar interpretações tradicionais e exigir uma postura mais firme e protetora por parte das igrejas.

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