PF e PGR exigem mais detalhes para avançar na delação premiada de Daniel Vorcaro
Defesa do banqueiro entregou novos documentos após críticas ao conteúdo preliminar; investigação segue com análise de celulares apreendidos.
Defesa do banqueiro entregou novos documentos após críticas ao conteúdo preliminar; investigação segue com análise de celulares apreendidos.
A Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República consideraram insuficiente a proposta inicial de delação premiada apresentada pelo banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e solicitaram informações complementares para avançar no acordo. A defesa do investigado entregou novos anexos na última terça-feira (5), que serão minuciosamente avaliados nas próximas semanas.
A delação premiada do banqueiro Daniel Vorcaro, alvo da “Operação Compliance Zero”, ainda enfrenta resistência das autoridades responsáveis pela investigação. A Polícia Federal (PF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR) avaliaram que o conteúdo preliminar apresentado pela defesa de Vorcaro não trouxe informações inéditas que possam contribuir para o avanço das apurações. Por isso, solicitaram mais detalhes para que o acordo possa ser formalizado.
Em resposta a essa demanda, na terça-feira (5), os advogados de Vorcaro entregaram anexos contendo os termos da delação, organizados por temas, em um pen drive. O ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), foi informado sobre a entrega do material. Agora, as equipes da PF e da PGR iniciarão a análise detalhada dos documentos para verificar se há inovação no conteúdo e se o investigado consegue apresentar provas que corroborem suas declarações.
A avaliação das autoridades deve levar algumas semanas, especialmente porque a perícia dos celulares apreendidos com Vorcaro ainda está em andamento. Ao todo, oito aparelhos foram recolhidos, com dados extraídos em Brasília, São Paulo e Minas Gerais. O celular principal, já periciado, continha cerca de 400 gigabytes de informações e aproximadamente 8 mil vídeos. Os demais dispositivos, utilizados por Vorcaro durante prisão domiciliar no final do ano passado, ainda estão sendo analisados, mas até o momento não revelaram elementos relevantes para a investigação.
A proposta inicial de delação, apresentada há cerca de duas semanas, foi considerada fraca pelos investigadores, pois não apresentava novidades em relação ao que já havia sido apurado durante o inquérito. Além disso, Vorcaro não mencionou nomes de liderança da organização investigada, cujo envolvimento já foi identificado pelas autoridades.
Fontes próximas ao caso indicam que a pressão para acelerar o processo de delação de Vorcaro aumentou após o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, manifestar interesse em fechar acordo de colaboração. Em contrapartida, não há negociações em curso para delação do pastor Fabiano Zettel, braço-direito do banqueiro.
A análise completa dos dados apreendidos é considerada fundamental para confrontar as informações que Vorcaro pretende apresentar. A Polícia Federal, inclusive, reforçou a equipe responsável pela investigação no mês passado, convocando novos delegados, peritos, agentes e escrivães para dar suporte à perícia e à análise documental.
Até o momento, Vorcaro permanece preso na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, e nenhum termo de delação poderá ser utilizado sem a assinatura formal do investigado. O processo segue em fase de avaliação, com expectativa de que as próximas semanas sejam decisivas para o avanço ou rejeição definitiva do acordo.
Contexto
Daniel Vorcaro, banqueiro dono do Banco Master, está preso desde a “Operação Compliance Zero”, que investiga uma organização criminosa. A delação premiada é um instrumento jurídico que permite ao investigado colaborar com as autoridades em troca de benefícios legais. No entanto, para que o acordo seja formalizado, é necessário que o conteúdo apresentado seja inovador e acompanhado de provas robustas. A análise dos dados apreendidos, especialmente dos celulares, é crucial para validar as informações fornecidas. A atuação do ministro André Mendonça no STF é relevante para o andamento do processo, que envolve também outros investigados como Paulo Henrique Costa e Fabiano Zettel.