Política Nacional

Minas Gerais: cenário indefinido e desafios para PT e PL definirem candidatos em 2026

Senador Cleitinho lidera pesquisas, mas ainda não confirma candidatura; Lula aposta em Rodrigo Pacheco para o governo mineiro.

Senador Cleitinho lidera pesquisas, mas ainda não confirma candidatura; Lula aposta em Rodrigo Pacheco para o governo mineiro.

Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país, mantém o cenário eleitoral indefinido a cinco meses das eleições de 2026. Enquanto o PL ainda busca um nome para representar o partido no estado, o PT tenta convencer Rodrigo Pacheco a disputar o governo, em um contexto de negociações intensas e rivalidades internas.

Minas Gerais, com seus 16 milhões de eleitores, é considerado um estado estratégico para as eleições presidenciais de 2026. Até o momento, o panorama político local permanece incerto. O Partido Liberal (PL) ainda não definiu quem será o candidato que representará a sigla no estado, enquanto o Partido dos Trabalhadores (PT) tenta persuadir o senador Rodrigo Pacheco (PSD) a entrar na disputa pelo governo mineiro.

O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) lidera as pesquisas de intenção de voto, mas ainda não confirmou oficialmente se será candidato. Embora se declare independente, Cleitinho é um apoiador do ex-presidente Jair Bolsonaro e reconhece a importância do apoio recebido em 2022 para sua eleição.

No PL, uma reunião importante ocorreu em Brasília no dia 12 de maio, envolvendo Flávio Bolsonaro, presidente do partido Valdemar Costa Neto, deputados mineiros Nikolas Ferreira, Zé Vitor e Domingos Sávio, além do senador Rogério Marinho, líder da oposição no Senado e coordenador da campanha de Flávio. O partido avalia três possibilidades para Minas Gerais: uma aliança com o atual governador Mateus Simões (PSD), que envolveria o apoio de Romeu Zema (Novo) a Flávio Bolsonaro; uma candidatura própria com Flávio Roscoe, ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG); ou Vittorio Medioli, ex-prefeito de Betim.

Flávio Roscoe, que se filiou ao PL em abril, colocou seu nome à disposição, mas não participa das reuniões do partido. Nas pesquisas mais recentes da Quaest, Roscoe aparece com apenas 2% das intenções de voto em um cenário com dez pré-candidatos, o que pesa contra sua candidatura. Cleitinho deve anunciar sua decisão sobre a candidatura em julho, mas alguns membros do PL consideram arriscado aguardar até o limite do prazo para as convenções partidárias.

Internamente, o PL enfrenta divergências. Nikolas Ferreira, deputado federal com a maior votação do país em 2022 e forte presença nas redes sociais, é contra a candidatura de Cleitinho, argumentando que o senador não está alinhado com as posições do partido. Analistas do Centrão sugerem que a resistência pode estar ligada a uma disputa interna, já que ambos podem disputar o governo em 2030.

No campo do PT, o ex-presidente Lula aposta em Rodrigo Pacheco para a disputa em Minas Gerais. Pacheco, que deixou o PSD para se filiar ao PSB em abril, tinha intenção de concorrer ao governo, com o apoio do petista. Contudo, após a rejeição do advogado-geral da União, Jorge Messias, indicado por Lula para o Supremo Tribunal Federal (STF), surgiram desconfianças dentro do PT sobre a atuação de Pacheco, que teria se posicionado contra o indicado, apesar de ter declarado publicamente apoio a Messias.

O senador, próximo ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União), que se opôs à indicação de Messias, ainda não confirmou sua candidatura, com prazo para decisão até o final de maio. Essa indefinição tem gerado especulações entre os partidos.

O deputado Rogério Correia, vice-líder do governo na Câmara, declarou confiança no apoio de Pacheco à indicação de Messias e afirmou que o senador está avaliando sua decisão por motivos familiares e partidários. O diretório estadual do PT em Minas Gerais apoia a pré-candidatura de Pacheco, e o presidente do partido, Edinho Silva, planeja conversar com ele para esclarecer seus planos.

Como alternativa, o PT mantém negociações com o empresário Josué Gomes, filho do ex-vice-presidente José Alencar, e com Alexandre Kalil (PDT), ex-prefeito de Belo Horizonte. Kalil, que concorreu ao governo em 2022 pelo PSD e ficou em segundo lugar nas pesquisas Quaest com 14%, afirmou que será candidato ao governo independente do partido e das alianças, mantendo diálogo com diversas siglas, incluindo PT, PSDB, Rede e PSOL.

Kalil também descartou a possibilidade de disputar uma vaga no Senado, citando motivos pessoais relacionados à família.

Minas Gerais tem histórico decisivo nas eleições presidenciais brasileiras. Desde 1989, todos os presidentes eleitos venceram no estado. Em 2022, Lula superou Jair Bolsonaro por uma margem estreita de menos de 50 mil votos, com 50,2% contra 49,8%. Para o cientista político Murilo Medeiros, da Universidade de Brasília (UnB), Minas Gerais é o “swing state” do Brasil, ou seja, um estado eleitoralmente indefinido que pode influenciar significativamente o resultado nacional. Com a direita dividida e a esquerda ainda sem um palanque consolidado, o quadro eleitoral no estado permanece totalmente aberto.

Contexto

Minas Gerais é o segundo maior colégio eleitoral do Brasil e tem papel fundamental nas eleições presidenciais. A indefinição dos candidatos em 2026 reflete a complexidade das articulações políticas locais, que envolvem alianças, disputas internas e estratégias para conquistar o eleitorado em um estado historicamente decisivo para o resultado nacional.

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