Eduardo Bolsonaro nega papel de produtor em filme financiado por Daniel Vorcaro
Deputado cassado esclarece envolvimento financeiro e nega financiamento por banqueiro dono do Banco Master
Deputado cassado esclarece envolvimento financeiro e nega financiamento por banqueiro dono do Banco Master
Eduardo Bolsonaro, ex-deputado federal, negou ter exercido a função de produtor-executivo no filme “Dark Horse”, que retrata a trajetória de seu pai, Jair Bolsonaro, e que recebeu aporte financeiro do banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master.
O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) esclareceu sua participação no projeto cinematográfico “Dark Horse”, que aborda a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro. Embora um contrato tenha registrado sua atuação como produtor-executivo, Eduardo afirmou que esse documento teve como único propósito garantir a continuidade do trabalho do diretor do filme, e que ele não desempenhou efetivamente essa função. Segundo o ex-parlamentar, ele aportou US$ 50 mil na produção, valor que posteriormente foi devolvido, sem que esses recursos tenham transitado pelo fundo de investimento ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro, que financiou o filme.
Em entrevista, Eduardo explicou que o investimento inicial serviu para assegurar um contrato com um diretor de Hollywood, permitindo o desenvolvimento do roteiro e o avanço do projeto durante dois anos. “Assumi pessoalmente todos os riscos”, declarou. Com a entrada de um grande investidor — cuja identidade não foi revelada —, que se consolidou em um grupo de fundos de investimento, Eduardo deixou a função prevista no contrato, mantendo apenas os direitos autorais para facilitar a representação no filme, evitando possíveis litígios futuros.
A reportagem original do portal Intercept Brasil revelou que o banqueiro Daniel Vorcaro foi um dos financiadores do filme, tendo desembolsado cerca de R$ 61 milhões. As negociações envolveram contatos diretos com Flávio Bolsonaro (PL-RJ), senador e pré-candidato à Presidência, que aparece em áudios solicitando e pressionando por pagamentos relacionados ao projeto. A TV Globo confirmou essas informações.
Além da investigação sobre a origem e o destino dos recursos, autoridades buscam esclarecer se os valores destinados ao filme foram realmente aplicados na produção ou se serviram para custear despesas pessoais de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, onde ele reside desde fevereiro de 2023 e não retornou ao Brasil desde então.
Em resposta, Eduardo Bolsonaro afirmou que seu status migratório nos EUA o impede de receber recursos diretamente de fundos de investimento vinculados a Vorcaro. O contrato de produção, assinado digitalmente em 30 de janeiro de 2024, lista Eduardo e o deputado federal Mário Frias (PL-SP) como produtores-executivos, com a empresa GoUp Entertainment, sediada nos Estados Unidos, como produtora.
O documento indica que os produtores deveriam se dedicar a atividades estratégicas relacionadas ao financiamento do filme, incluindo preparação de documentação para investidores, identificação de fontes de financiamento, créditos fiscais, colocação de produtos e captação de patrocínios. No entanto, Eduardo Bolsonaro reforça que sua participação foi restrita ao período inicial e que não recebeu financiamento direto do banqueiro.
Contexto
A polêmica envolvendo o financiamento do filme “Dark Horse” ganhou destaque após reportagens revelarem que o banqueiro Daniel Vorcaro teria investido cerca de R$ 61 milhões na produção, com envolvimento direto dos filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro. A investigação busca apurar se os recursos foram efetivamente utilizados na produção cinematográfica ou se foram desviados para outras finalidades. Eduardo Bolsonaro, que reside nos Estados Unidos desde 2023, negou participação ativa como produtor e afirmou que os recursos investidos por ele foram devolvidos, afastando a tese de financiamento direto por Vorcaro.