Política Nacional

Datafolha revela que 6 em cada 10 brasileiros desconhecem rejeição de Jorge Messias ao STF pelo Senado

Levantamento aponta baixa divulgação da rejeição do advogado-geral da União ao Supremo e impacto político da decisão no governo Lula.

Levantamento aponta baixa divulgação da rejeição do advogado-geral da União ao Supremo e impacto político da decisão no governo Lula.

Uma pesquisa divulgada pelo Datafolha em maio de 2026 revela que a maioria dos brasileiros não tomou conhecimento da rejeição do advogado-geral da União, Jorge Messias, indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão do Senado, ocorrida em 29 de abril, foi considerada uma derrota histórica para o governo, mas alcançou apenas 41% da população em termos de conhecimento.

O levantamento realizado pelo instituto Datafolha entre os dias 12 e 13 de maio de 2026, com 2.004 entrevistados em 139 municípios brasileiros, apontou que 59% dos brasileiros não souberam que o Senado rejeitou a indicação de Jorge Messias para o STF. Entre os 41% que estavam informados sobre o caso, apenas 19% se consideraram bem informados, enquanto 18% afirmaram ter conhecimento moderado e 4% disseram estar mal informados. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

Entre os que tomaram conhecimento da rejeição, 53% acreditam que o episódio enfraqueceu o governo Lula, 7% entendem que o governo saiu fortalecido, 36% consideram que não houve impacto e 4% não opinaram. A rejeição de Messias ocorreu em votação secreta no plenário do Senado, com 42 votos contrários, 34 favoráveis e uma abstenção. Para ser aprovado, o indicado precisava de ao menos 41 votos, maioria absoluta dos 81 senadores.

A indicação de Jorge Messias, que ocupa o cargo de advogado-geral da União, foi uma tentativa do presidente Lula de preencher a vaga deixada pelo ministro Luís Roberto Barroso, aposentado no final de 2025. Esta foi a terceira indicação do atual governo para o STF, após as nomeações de Cristiano Zanin e Flávio Dino, ambas aprovadas.

O Datafolha também revelou que o conhecimento sobre a rejeição de Messias é semelhante entre evangélicos e a população geral, com 59% de desconhecimento em ambos os grupos. Entre os eleitores do presidente Lula, 61% não souberam da decisão, enquanto entre os eleitores do senador Flávio Dino, esse índice é de 50%. O maior percentual de desconhecimento foi registrado entre aqueles que pretendem votar em branco, nulo ou nenhum candidato nas eleições de 2026, chegando a 72%.

Historicamente, a rejeição de indicações ao Supremo pelo Senado é rara. A última vez que isso ocorreu foi em 1894, durante o governo do marechal Floriano Peixoto, quando cinco nomes foram recusados. A rejeição de Messias é a primeira desde então, o que reforça a dimensão inédita da derrota para o governo Lula.

Quanto ao futuro da indicação, o presidente Lula avalia a possibilidade de reenviar o nome de Jorge Messias ao Senado antes das eleições de outubro de 2026. Contudo, integrantes do governo manifestam preocupação com o risco de nova rejeição. De acordo com o regimento interno do Senado, um nome rejeitado não pode ser reapresentado na mesma sessão legislativa, que vai de 1º de fevereiro a 15 de dezembro. Assim, uma nova análise só poderia ocorrer em 2027, caso Lula seja reeleito.

A rejeição do indicado repercutiu nos três Poderes da República, gerando debates sobre o impacto político da decisão e as estratégias do governo para preencher a vaga no STF. A situação evidencia os desafios enfrentados pelo Executivo na indicação de ministros para a Corte Suprema e a importância do Senado na validação desses nomes.

Contexto

A rejeição de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal pelo Senado em abril de 2026 marcou um episódio histórico, sendo a primeira recusa de indicação presidencial para o STF desde 1894. O fato ocorreu em um momento delicado para o governo Lula, que busca consolidar sua base política e garantir a nomeação de ministros alinhados. A pesquisa Datafolha demonstra que, apesar da relevância do evento, a maioria da população brasileira não teve acesso à informação, o que pode refletir na percepção pública sobre a estabilidade do governo e o funcionamento das instituições democráticas. A legislação e o regimento interno do Senado impõem limitações para a reapresentação de nomes rejeitados, o que complica a estratégia do Executivo para preencher a vaga deixada por Barroso. Este cenário se desenrola em meio ao calendário eleitoral de 2026, adicionando complexidade política ao processo.

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