Política Nacional

Mário Frias agradece apoio de Daniel Vorcaro ao filme sobre Jair Bolsonaro

Áudios e mensagens revelam diálogo entre Frias e Vorcaro sobre financiamento e produção da cinebiografia

Áudios e mensagens revelam diálogo entre Frias e Vorcaro sobre financiamento e produção da cinebiografia

Em mensagens e áudios divulgados, o deputado Mário Frias agradece ao banqueiro Daniel Vorcaro pelo suporte financeiro e estratégico ao filme ‘Dark Horse’, que retrata a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro. A produção tem gerado polêmica após revelações sobre o envolvimento de Vorcaro e do senador Flávio Bolsonaro nas negociações de financiamento.

O deputado federal Mário Frias (PL-SP), ex-secretário especial da Cultura no governo Jair Bolsonaro, enviou em 11 de dezembro de 2024 uma mensagem de áudio ao banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, agradecendo o apoio ao filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente. A gravação foi divulgada pelo site Intercept e confirmada pela TV Globo. Na mensagem, Frias destaca a importância do projeto para o país e manifesta otimismo quanto ao impacto da obra.

O filme “Dark Horse” tem sido alvo de investigações e reportagens após revelações de que Vorcaro teria contribuído com cerca de R$ 61 milhões para a produção. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente, admitiu encontros com o banqueiro e ter intermediado as negociações, inclusive cobrando repasses financeiros. Em uma ligação de cerca de dois minutos realizada no mesmo dia do áudio, Frias e Vorcaro mantiveram contato para tratar do andamento do projeto.

Em entrevista concedida em 18 de maio de 2026 ao jornalista Paulo Figueiredo, Mário Frias comentou sobre sua relação com Vorcaro. Ele afirmou que as conversas com o banqueiro foram restritas ao filme, ressaltando que Vorcaro dizia não ser o investidor direto, mas sim um intermediário que buscava outros financiadores para a produção. Frias mencionou que, no máximo, teria falado com Vorcaro três vezes por telefone, sempre para agradecer e informar sobre o progresso do projeto.

Além disso, em mensagens trocadas em 22 de dezembro de 2024, Vorcaro e Frias discutiram o potencial do filme como um “milagre” capaz de tocar milhões de pessoas e de cumprir uma “questão de justiça divina” ao revelar a verdadeira história de Jair Bolsonaro. Frias chegou a afirmar que 2026 seria um ano decisivo para o Brasil e desejou bênçãos ao banqueiro.

Em outra troca de mensagens, em 15 de dezembro de 2024, Frias compartilhou com Vorcaro detalhes sobre negociações preliminares com o diretor Cyrus Nowrasteh, que buscava contratar o ator Jim Caviezel para interpretar Bolsonaro. O diretor explicou que o ator faria duas perguntas antes de aceitar o papel: se poderia ler o roteiro e se receberia uma remuneração adequada.

A reportagem do Intercept, corroborada pela TV Globo, também revelou que Eduardo Bolsonaro e Mário Frias atuaram como produtores executivos do filme, com responsabilidades que incluíam a captação de recursos, estratégias financeiras e busca por incentivos fiscais. A produtora GoUp está envolvida na produção.

Na quarta-feira (13), Frias divulgou uma nota negando que o filme tivesse recebido qualquer recurso do banqueiro Vorcaro, alegando que a obra sofria ataques políticos e ideológicos. Contudo, diante das evidências e da admissão de Flávio Bolsonaro sobre o financiamento, o deputado emitiu uma nova nota esclarecendo que o Banco Master e Vorcaro não aparecem formalmente como investidores diretos, pois o relacionamento jurídico do projeto se dava com a empresa Entre Investimentos.

O caso ganhou repercussão nacional, pois envolve figuras políticas e financeiras ligadas ao governo Bolsonaro, além de levantar questões sobre transparência e financiamento de produções culturais com viés político.

Contexto

O filme “Dark Horse” é uma cinebiografia que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. Desde o anúncio da produção, o projeto tem sido alvo de controvérsias, principalmente após reportagens apontarem o envolvimento do banqueiro Daniel Vorcaro no financiamento, com valores que ultrapassam R$ 60 milhões. O senador Flávio Bolsonaro também foi citado como intermediário nas negociações. O deputado Mário Frias, que foi secretário especial da Cultura no governo Bolsonaro, atua como produtor executivo da obra. As revelações trouxeram à tona debates sobre o uso de recursos privados em filmes políticos e a influência dessas produções no cenário eleitoral e midiático brasileiro.

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