Vorcaro financiou mais de 90% do orçamento do filme ‘Dark Horse’ sobre Jair Bolsonaro
Produtora revela detalhes do financiamento e impacto da prisão de Vorcaro na produção do longa-metragem
Produtora revela detalhes do financiamento e impacto da prisão de Vorcaro na produção do longa-metragem
O banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, foi o principal financiador do filme ‘Dark Horse’, que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, investindo mais de 90% do orçamento total estimado em US$ 13 milhões.
O filme ‘Dark Horse’, que narra a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), teve seu orçamento majoritariamente custeado pelo banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Conforme informações da produtora GoUp, liderada por Karina Ferreira da Gama, o valor investido por Vorcaro ultrapassa 90% do total, estimado em cerca de US$ 13 milhões. O projeto está em fase de pós-produção, incluindo a finalização de efeitos especiais e sonorização, e ainda busca recursos adicionais, embora em valores considerados não substanciais.
Flávio Bolsonaro, senador e pré-candidato à presidência pelo PL, confirmou que Vorcaro aportou pouco mais de US$ 12 milhões no longa, o que corresponde a aproximadamente 92% do orçamento atual. Karina Ferreira da Gama relatou que, após a prisão de Vorcaro, a equipe responsável pelo filme precisou procurar novos investidores para garantir a continuidade das filmagens e o pagamento das equipes técnicas, destacando a mobilização da iniciativa privada para apoiar o projeto.
A produtora esclareceu que Vorcaro atuou como intermediador dos recursos, e não como investidor direto. Segundo Karina, o banqueiro foi procurado por Flávio Bolsonaro em 2024, antes de quaisquer informações negativas sobre ele serem divulgadas. Diferentemente das declarações públicas de Flávio, que o apresenta como investidor e patrocinador, Karina afirmou que a GoUp não recebeu fundos diretamente de Vorcaro ou de empresas vinculadas a ele. Todos os recursos destinados à produtora vieram do fundo Heavengate, sediado nos Estados Unidos e administrado pelo advogado Paulo Calixto, aliado do ex-deputado Eduardo Bolsonaro.
Investigações da Polícia Federal indicam que a empresa Entre Investimentos e Participações, ligada a Vorcaro, foi a fonte dos recursos para o filme. Toda a produção de ‘Dark Horse’ ocorreu em território brasileiro, com a última filmagem realizada em 8 de dezembro de 2025, pouco mais de três semanas após a primeira prisão de Vorcaro.
Além do filme, a produtora GoUp, através da Academia Nacional de Cultura, recebeu R$ 2,4 milhões em emendas via PIX para a produção da série documental ‘Heróis Nacionais – Filhos do Brasil que não se rendem’, que abordaria figuras históricas como José de Anchieta e Dom Pedro I. Os recursos foram destinados pelos deputados Marcos Pollon (PL-MS), Bia Kicis (PL-DF), Alexandre Ramagem (PL-RJ) e Carla Zambelli (PL-SP). Contudo, o projeto não avançou após o bloqueio de uma das emendas, a de Carla Zambelli, por decisão do ministro Flávio Dino, que apontou irregularidades no cumprimento dos requisitos legais. Essa situação motivou uma investigação preliminar conduzida pelo ministro, iniciada na semana anterior.
Contexto
O filme ‘Dark Horse’ é uma cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, que tem gerado controvérsias devido à origem dos recursos financeiros para sua produção. Daniel Vorcaro, banqueiro do Banco Master, foi preso em meio a investigações que envolvem a movimentação financeira relacionada ao longa. A participação de políticos do PL na destinação de emendas para produções culturais ligadas ao grupo também está sob apuração, refletindo um cenário de atenção da Polícia Federal e do Judiciário sobre o financiamento de obras com potencial impacto político.