Justiça italiana rejeita extradição de Carla Zambelli após condenações no Brasil
Ex-deputada brasileira permanece na Itália enquanto aguarda decisão final do ministro da Justiça italiano sobre extradição
Ex-deputada brasileira permanece na Itália enquanto aguarda decisão final do ministro da Justiça italiano sobre extradição
A Suprema Corte de Cassação da Itália reverteu a autorização de extradição da ex-deputada Carla Zambelli, que enfrenta condenações no Brasil por invasão de sistemas do CNJ e porte ilegal de arma. A decisão, divulgada em 22 de maio de 2026, mantém Zambelli no país europeu e determina sua libertação, enquanto o ministro da Justiça italiano avaliará o caso nos próximos 45 dias.
Em uma reviravolta na disputa judicial internacional envolvendo Carla Zambelli, a Suprema Corte de Cassação da Itália decidiu nesta sexta-feira, 22 de maio de 2026, revogar a autorização para sua extradição ao Brasil. A ex-deputada federal, condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) brasileiro, estava detida em uma penitenciária feminina nos arredores de Roma desde que a Justiça italiana aprovou sua extradição em março deste ano. O advogado de Zambelli, Alessandro Sammarco, confirmou que a decisão da mais alta instância judicial da Itália também determinou a libertação da cliente. Apesar da reversão, a decisão ainda será submetida à análise do ministro da Justiça da Itália, Carlo Nordio, que tem até 45 dias para emitir seu parecer favorável ou contrário à extradição. O pedido de extradição foi feito pelo Brasil após Zambelli deixar o país em maio de 2026, fugindo para a Europa após ser condenada pelo STF a 10 anos de prisão por invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A ex-parlamentar, que possui cidadania italiana, também passou pelos Estados Unidos antes de se estabelecer na Itália, sendo considerada foragida pela Justiça brasileira. A condenação de Zambelli ocorreu em maio de 2025, quando o STF, por unanimidade, reconheceu sua participação na invasão dos sistemas do CNJ. O relator do processo, ministro Alexandre de Moraes, propôs a pena de 10 anos de prisão em regime inicialmente fechado, perda do mandato parlamentar — a ser formalizada pela Câmara dos Deputados após o trânsito em julgado — e inelegibilidade. O hacker Walter Delgatti, também condenado, recebeu pena de 8 anos e 3 meses. Ambos foram responsabilizados por crimes de invasão de dispositivo informático e falsidade ideológica. Além das penas privativas de liberdade, a dupla foi condenada a pagar indenização de R$ 2 milhões por danos morais e coletivos. A Procuradoria-Geral da República (PGR) acusou Zambelli e Delgatti de coordenar ataques aos sistemas do CNJ com o objetivo de desacreditar a Justiça e fomentar atos antidemocráticos, incluindo a inserção de documentos falsos como um mandado de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes. Em 2026, já residindo na Itália, Zambelli sofreu nova condenação pelo STF, desta vez por porte ilegal de arma e constrangimento ilegal com emprego de arma de fogo, relacionados a um episódio em São Paulo em 2022. A pena imposta foi de 5 anos e 3 meses de prisão. O STF também determinou a perda do mandato parlamentar de Zambelli, decisão que foi inicialmente tomada pelo ministro Alexandre de Moraes e confirmada pela Primeira Turma do tribunal, em votação unânime. Durante o processo, Zambelli manifestou interesse em ser julgada na Itália e negou envolvimento nos crimes que lhe foram imputados. A Justiça italiana, ao autorizar sua prisão preventiva, considerou que havia risco de fuga, o que motivou sua detenção até o julgamento da extradição. A decisão da Suprema Corte de Cassação representa um novo capítulo na complexa relação jurídica entre Brasil e Itália no caso envolvendo a ex-deputada.
Contexto
Carla Zambelli, ex-deputada federal brasileira com cidadania italiana, foi condenada pelo STF em 2025 por invasão dos sistemas do CNJ e posteriormente por porte ilegal de arma. Após fugir para a Itália em 2026, teve seu pedido de extradição autorizado inicialmente pelas autoridades italianas, mas a Suprema Corte de Cassação reverteu essa decisão. O processo ainda depende da análise final do ministro da Justiça da Itália. O caso envolve questões de cooperação internacional em matéria penal e direitos de cidadania dupla.