Política Nacional

Cinebiografia de Bolsonaro gera crise e pode prejudicar candidatura de Flávio, aponta Financial Times

Produção cinematográfica sobre Jair Bolsonaro envolve financiamento controverso e intensifica dúvidas sobre futuro político de Flávio Bolsonaro.

Produção cinematográfica sobre Jair Bolsonaro envolve financiamento controverso e intensifica dúvidas sobre futuro político de Flávio Bolsonaro.

O filme Dark Horse, cinebiografia em inglês sobre Jair Bolsonaro, está no centro de uma crise política que pode comprometer a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro, conforme reportagem publicada pelo jornal britânico Financial Times em 25 de maio de 2026.

O jornal Financial Times divulgou uma reportagem detalhando como o filme Dark Horse, cinebiografia que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, vem se transformando em uma verdadeira “comédia de erros” antes mesmo de seu lançamento. A produção, que conta com o ator Jim Caviezel no papel principal, está envolvida em uma polêmica que ameaça a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Segundo o veículo britânico, Flávio solicitou recursos financeiros ao banqueiro Daniel Vorcaro, do banco Master, para viabilizar o projeto cinematográfico. No entanto, Vorcaro é apontado por críticos como suspeito de corrupção e teria sido responsável pelo colapso de uma instituição financeira avaliada em US$ 10 bilhões. O financiamento, estimado em US$ 24 milhões (aproximadamente R$ 134 milhões na época), foi parcialmente liberado, com cerca de R$ 61 milhões pagos entre fevereiro e maio de 2025.

Relatos divulgados pelo portal The Intercept Brasil indicam que Flávio Bolsonaro manteve contato próximo com Vorcaro, chegando a chamá-lo de “irmão” em mensagens trocadas pouco antes da prisão do banqueiro. Apesar das controvérsias, Flávio nega qualquer irregularidade envolvendo o financiamento do filme.

O Financial Times destaca que a crise gerada por essas revelações levanta questionamentos sobre a viabilidade eleitoral do senador, que foi escolhido por seu pai como sucessor político após Jair Bolsonaro receber uma sentença de 27 anos em setembro de 2025 por planejar um golpe para se manter no poder após a derrota nas eleições de 2022 para Lula.

Ainda conforme a reportagem, Jair Bolsonaro permanece como líder máximo da direita brasileira, e as decisões sobre a candidatura de Flávio dependem diretamente do ex-presidente. Aliados acreditam que, apesar das controvérsias, o filme pode atrair público tanto no Brasil quanto no exterior.

O ex-estrategista da Casa Branca, Steve Bannon, revelou ao Financial Times seu interesse em promover Dark Horse nos Estados Unidos, apostando na popularidade do ator Jim Caviezel entre o movimento MAGA, associado a Donald Trump. Bannon afirmou que a produção cinematográfica tem potencial para alcançar um público maior do que campanhas publicitárias tradicionais.

Além disso, Eduardo Bolsonaro também está envolvido na produção, tendo assinado contrato como produtor-executivo do filme. A situação política de Flávio Bolsonaro permanece delicada, especialmente diante das investigações e da proximidade de eventos eleitorais.

Nesta semana, está prevista uma possível viagem de Flávio Bolsonaro a Washington para um encontro com o ex-presidente Donald Trump, o que pode influenciar os rumos da pré-campanha.

Contexto

O filme Dark Horse surge em um momento político sensível para a família Bolsonaro. Após a derrota de Jair Bolsonaro nas eleições presidenciais de 2022 e sua posterior condenação por tentativa de golpe, seus filhos buscam manter influência no cenário político brasileiro. Flávio Bolsonaro, senador pelo Rio de Janeiro, enfrenta agora um desafio adicional com as suspeitas envolvendo o financiamento da cinebiografia, que pode impactar sua imagem pública e eleitoral. A participação de figuras internacionais como Steve Bannon e a proximidade com Donald Trump indicam uma estratégia de fortalecimento da narrativa política alinhada à direita conservadora global.

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