Congresso retoma doações a estados e municípios nas eleições após promulgação de Alcolumbre
Presidente do Senado publica no Diário Oficial dispositivos vetados pelo governo que liberam transferências de recursos em ano eleitoral
Presidente do Senado publica no Diário Oficial dispositivos vetados pelo governo que liberam transferências de recursos em ano eleitoral
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, promulgou nesta quarta-feira (27) dispositivos da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) que autorizam doações a estados e municípios durante o período eleitoral, após o Congresso derrubar vetos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o governo recusar promulgação.
Os trechos da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) que liberam doações a estados e municípios durante o período eleitoral deste ano foram publicados no Diário Oficial da União (DOU) nesta quarta-feira (27). Esses dispositivos haviam sido vetados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que alegou inconstitucionalidade e contrariedade ao interesse público por criarem exceções à legislação eleitoral vigente. Contudo, o Congresso Nacional derrubou os vetos em votação, restabelecendo a possibilidade das doações.
Após a derrubada dos vetos, o texto voltou para promulgação presidencial, que deveria ocorrer em até 48 horas. Entretanto, a Casa Civil do governo federal recusou-se a promulgar a norma, devolvendo o texto ao Legislativo. Diante disso, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), assumiu a promulgação e a publicação dos dispositivos no DOU.
Essa medida abre uma exceção para que políticos possam realizar transferências de recursos a estados e municípios mesmo durante o período eleitoral, quando a legislação normalmente restringe a distribuição de benefícios governamentais para evitar favorecimento a candidatos. A retomada dessa possibilidade foi criticada por entidades como a Transparência Brasil, que alertam para riscos de doações indiretas durante as eleições.
Segundo a Transparência Brasil, parlamentares podem destinar recursos por meio de emendas a órgãos federais, como a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), que, por sua vez, repassariam bens ou recursos a municípios, configurando uma doação indireta durante o período eleitoral.
Além disso, o Congresso também resgatou outro trecho vetado que libera a transferência de recursos e a assinatura de convênios com municípios inadimplentes com até 65 mil habitantes. O governo havia vetado essa regra, argumentando que ela contrariava o interesse público e que a exigência de adimplência fiscal está prevista na Lei de Responsabilidade Fiscal.
A promulgação pelo presidente do Senado ocorre em um momento de tensão entre os poderes, evidenciada pela postura reservada entre Lula e Alcolumbre durante a posse de Nunes Marques como presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), quando ambos evitaram contato visual, conforme registrado pela imprensa.
Contexto
A legislação eleitoral brasileira estabelece restrições para a transferência de recursos públicos durante o período que antecede as eleições, com o objetivo de evitar o uso da máquina pública para favorecer candidatos. Em 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vetou dispositivos da Lei de Diretrizes Orçamentárias que permitiam doações a estados e municípios nesse período. O Congresso, por sua vez, derrubou esses vetos, o que gerou um impasse institucional quando o governo se recusou a promulgar a norma, transferindo a responsabilidade para o presidente do Senado. A medida tem sido alvo de críticas por organizações que monitoram a transparência e a legalidade na utilização dos recursos públicos durante o processo eleitoral.