Política Nacional

Mensagens revelam negociação de imóveis entre Daniel Vorcaro e ex-presidente do BRB antes da tentativa de compra do Banco Master

Diálogos indicam que ex-presidente do BRB negociou imóveis avaliados em R$ 140 milhões para facilitar negócio com o Banco Master

Diálogos indicam que ex-presidente do BRB negociou imóveis avaliados em R$ 140 milhões para facilitar negócio com o Banco Master

Investigações da Polícia Federal expuseram conversas entre Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco Regional de Brasília (BRB), que indicam negociações de imóveis como parte de um acordo para viabilizar a compra do Banco Master pelo BRB, operação que acabou barrada.

Mensagens trocadas entre Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, e Paulo Henrique Costa, então presidente do Banco Regional de Brasília (BRB), foram obtidas pela Polícia Federal e revelam negociações envolvendo pelo menos seis imóveis avaliados em cerca de R$ 140 milhões. Os empreendimentos estão localizados em Brasília e São Paulo e foram oferecidos em troca de facilitação dos negócios entre as instituições financeiras. As conversas ocorreram dias antes do BRB anunciar a intenção de adquirir 49% das ações ordinárias, 100% das ações preferenciais e 58% do capital total do Banco Master, transação que não foi concluída. Em mensagens datadas de 18 de março de 2025, Vorcaro elogia Costa, afirmando que ele tem sido um “gigante” durante as negociações, enquanto o ex-presidente do BRB reforça a necessidade de superar questões documentais para avançar com o acordo. Paulo Henrique Costa está preso desde 16 de abril no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, no Complexo Penitenciário da Papuda. Ele é investigado por supostas irregularidades na governança do BRB e por permitir negócios sem garantias adequadas com o Banco Master. Daniel Vorcaro está detido desde 4 de março na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, acusado de crimes financeiros, pagamentos ilícitos a agentes públicos e organização de uma milícia privada para monitorar autoridades e perseguir jornalistas. Além das negociações imobiliárias, mensagens revelam que Vorcaro orientou uma corretora a buscar imóveis para Paulo Henrique Costa em novembro de 2024, incluindo um apartamento decorado no bairro do Itaim Bibi, em São Paulo, avaliado em R$ 45 milhões. A Polícia Federal considera esses diálogos como evidências da participação de Costa na suposta engenharia criminosa envolvendo o Banco Master. Ambos os envolvidos estão em tratativas para um possível acordo de delação premiada, embora a Polícia Federal tenha rejeitado recentemente a proposta de Vorcaro, que ainda será avaliada pela Procuradoria-Geral da República. Em outra série de mensagens, Vorcaro e Costa discutem a venda de carteiras do Banco Master ao BRB, com o ex-presidente do BRB solicitando informações sobre a necessidade de caixa do Master e cronogramas para viabilizar os repasses. As conversas indicam que Paulo Henrique Costa buscava estruturar operações para atender aos pré-requisitos do BRB, enquanto Vorcaro mencionava carteiras pulverizadas de convênios menores para facilitar as transações. Em nota, Paulo Henrique Costa afirmou que as mensagens fazem parte de um projeto conjunto entre BRB e Master para firmar uma parceria relevante, ressaltando que as conversas ocorreram no contexto de uma operação legítima. A investigação segue em andamento, com foco nas práticas de governança e possíveis irregularidades nas negociações entre os dois bancos.

Contexto

O Banco Regional de Brasília (BRB) é uma instituição financeira controlada pelo governo do Distrito Federal, enquanto o Banco Master é um banco privado. Em 2025, o BRB tentou adquirir parte do Banco Master, mas a operação foi barrada após investigações da Polícia Federal revelarem supostas irregularidades. Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foram presos sob suspeitas de crimes financeiros, corrupção e formação de milícia privada. As mensagens interceptadas pela PF indicam que os negócios entre os dois bancos envolviam troca de imóveis e venda de carteiras de crédito, levantando suspeitas sobre a legalidade das operações e a governança das instituições.

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