PSD enfrenta reação interna após ala bolsonarista apoiar Zema como vice de Caiado
Articulação para indicar Zema como vice na chapa presidencial de Caiado provoca desconforto e mobiliza dirigentes históricos do PSD.
Articulação para indicar Zema como vice na chapa presidencial de Caiado provoca desconforto e mobiliza dirigentes históricos do PSD.
A proposta de que Romeu Zema, ex-governador de Minas Gerais, assuma a vaga de vice na chapa presidencial de Ronaldo Caiado tem provocado resistência dentro do PSD. Lideranças tradicionais do partido questionam a ausência de vínculos históricos de Zema com a legenda e pedem que a vaga seja ocupada por nomes que representem a identidade do PSD.
A defesa feita por membros da ala bolsonarista do PSD para que Romeu Zema integre a chapa presidencial de Ronaldo Caiado como candidato a vice-gerou um início de crise interna na sigla. O movimento, que ganhou força nos últimos dias, tem causado desconforto entre dirigentes e quadros mais antigos do partido, que veem a possibilidade como um afastamento dos princípios e da história do PSD.
Antônio Brito, líder do PSD na Câmara dos Deputados, reconheceu o incômodo provocado pela articulação, mas minimizou a gravidade da situação, afirmando que o problema “já foi debelado”. Apesar disso, nos bastidores, circula um documento assinado por integrantes do partido que critica a ideia de abrir mão da vaga de vice para um nome sem ligação histórica com o PSD.
O texto ressalta que o partido foi fundado há 15 anos com o objetivo de reunir os melhores quadros da vida pública brasileira e que, para manter essa identidade, é “inaceitável” que o vice-presidente da chapa não tenha vínculos com as raízes do PSD. O documento destaca ainda que o candidato a presidente, Ronaldo Caiado, é um recém-chegado à legenda e que sua esposa, que concorre ao Senado por Goiás, não é filiada ao PSD.
Para ocupar a vaga de vice, os signatários sugerem nomes que representam a tradição interna do partido, como Roberto Brant, fundador do PSD e ex-deputado federal por Minas Gerais; Eduardo Sciarra, também fundador e ex-líder da bancada na Câmara; e Alda Marcoantonio, presidente do PSD Mulher. O texto conclui pedindo que o bom senso prevaleça para garantir a harmonia interna, considerada uma das principais características do partido.
Enquanto isso, Caiado e Zema têm mantido diálogo sobre a possibilidade de unir candidaturas, embora ainda não tenham definido quem será o cabeça de chapa. A articulação busca fortalecer a presença do PSD nas eleições presidenciais, mas enfrenta resistência de setores que defendem a preservação da identidade histórica da sigla.
O episódio evidencia as tensões internas do PSD entre a ala ligada ao bolsonarismo e os quadros tradicionais, refletindo o desafio do partido em equilibrar alianças estratégicas e a manutenção de sua base política e ideológica.
Contexto
Fundado em 2007, o PSD se consolidou como um partido que busca reunir políticos experientes e com trajetória consolidada na política brasileira. Nas eleições de 2026, o partido tenta lançar candidatura própria à Presidência da República, liderada por Ronaldo Caiado, governador de Goiás e filiado recente, o que tem gerado debates sobre a composição da chapa, especialmente no que tange à escolha do candidato a vice. A defesa da indicação de Romeu Zema, ex-governador de Minas Gerais e filiado ao partido Novo, pela ala bolsonarista do PSD, acendeu um debate sobre identidade partidária e representatividade histórica dentro da legenda.