Política Nacional

STJ reduz salário do ministro Marco Buzzi em 65% após suspensão de penduricalhos

Corte de benefícios extras reflete novas diretrizes do CNJ para magistrados afastados durante processos disciplinares

Corte de benefícios extras reflete novas diretrizes do CNJ para magistrados afastados durante processos disciplinares

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) suspendeu os pagamentos de verbas adicionais ao ministro Marco Buzzi, afastado desde fevereiro por denúncias de assédio sexual, o que resultou em uma queda de 65% na remuneração do magistrado, de cerca de R$ 100 mil para R$ 35 mil mensais.

Desde o afastamento do ministro Marco Buzzi, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), em 10 de fevereiro, por denúncias de assédio sexual, o tribunal manteve o pagamento integral de sua remuneração, incluindo penduricalhos, contrariando a regra do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em vigor desde 2024. Contudo, em maio, o STJ passou a suspender esses benefícios extras, reduzindo o salário líquido do magistrado de aproximadamente R$ 100 mil para R$ 35,1 mil. O corte abrangeu verbas indenizatórias, como auxílio-alimentação, transporte, pré-escolar, saúde, natalidade, moradia e ajuda de custo, que anteriormente elevavam o salário de Buzzi acima do teto constitucional de R$ 46.366,19. Apesar da redução, o ministro continua recebendo o salário bruto de R$ 44 mil acrescido de R$ 16,4 mil em “vantagens pessoais”, que englobam adicionais por tempo de serviço, quintos, décimos, entre outros benefícios previstos no Portal da Transparência do STJ. Em valores brutos, o contracheque de Buzzi em maio foi de R$ 61,1 mil, comparado a quase R$ 127 mil em abril e R$ 132 mil em março. O afastamento do ministro decorre de um inquérito aberto pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Nunes Marques, após denúncia feita por uma jovem de 18 anos que o acusa de assédio em Balneário Camboriú (SC), onde ela estava de férias com a família na residência do magistrado. Buzzi nega as acusações, e sua defesa afirma que ele não cometeu atos impróprios e que as alegações carecem de provas concretas. Em abril, o STJ instaurou um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) com base na sindicância preliminar. Paralelamente, o CNJ aprovou uma proposta do presidente Edson Fachin para a implementação obrigatória do “contracheque único” para magistrados em todo o país, visando maior transparência nos pagamentos e controle do teto remuneratório. No Supremo, a Primeira Turma extinguiu a aposentadoria compulsória remunerada como punição máxima em processos administrativos disciplinares, o que não se aplica diretamente ao caso de Buzzi, que aguarda julgamento. A decisão do STJ em suspender os penduricalhos segue a orientação do CNJ e reforça o debate sobre a transparência e a adequação dos salários dos magistrados afastados durante investigações.

Contexto

A partir de 2024, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) estabeleceu normas que suspendem o pagamento de verbas indenizatórias e benefícios temporários a magistrados afastados durante sindicâncias ou processos administrativos disciplinares. Essa medida visa evitar que juízes e desembargadores recebam remunerações acima do teto constitucional enquanto estão afastados preventivamente. A discussão sobre transparência e controle dos salários no Judiciário ganhou força recentemente, com decisões do CNJ e do Supremo Tribunal Federal (STF) que buscam aprimorar os mecanismos de fiscalização e limitar benefícios considerados excessivos. O caso do ministro Marco Buzzi, afastado por denúncias graves, tornou-se emblemático ao revelar que, mesmo afastado, ele continuava a receber penduricalhos que elevavam seu salário a quase três vezes o teto constitucional, o que motivou a revisão e suspensão desses pagamentos pelo STJ.

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