Política Nacional

Eleições 2026: PT enfrenta desafios para garantir Marcelo Ramos no palanque de Lula no Amazonas

Disputa no Amazonas evidencia dificuldades do PT em consolidar alianças para o Senado nas eleições de 2026

Disputa no Amazonas evidencia dificuldades do PT em consolidar alianças para o Senado nas eleições de 2026

A visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Amazonas nesta semana não conseguiu assegurar a participação do ex-deputado federal Marcelo Ramos, do PT, na chapa majoritária que deve apoiar a reeleição de Lula no estado, revelando tensões entre o partido e aliados locais.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cumpriu agenda oficial em Manaus entre os dias 26 e 27 de maio, com anúncios de investimentos bilionários, entregas do programa Minha Casa, Minha Vida e visitas a estaleiros, mas não houve avanços na definição da chapa local para as eleições de 2026. O PT amazonense oficializou a pré-candidatura de Marcelo Ramos ao Senado Federal, porém, essa decisão não foi alinhada com o senador Omar Aziz (PSD), candidato ao governo do Amazonas, nem com Eduardo Braga (MDB), que busca a reeleição para o Senado.

Na noite do dia 26, Omar Aziz e Eduardo Braga organizaram um jantar em Manaus com a presença de Lula e mais de 350 convidados, incluindo prefeitos, líderes empresariais, sindicais, deputados e religiosos. Apesar da presença de Marcelo Ramos, os anfitriões afirmaram que não discutiram questões políticas com o presidente durante o evento. Aziz destacou que o encontro teve caráter de confraternização e que Lula não abordou temas eleitorais. Eduardo Braga reforçou que sua relação política é diretamente com Lula, e não com o PT, e que a construção da candidatura majoritária depende de trabalho e apoio popular.

Marcelo Ramos confirmou que não houve qualquer conversa com Lula sobre sua inclusão na chapa e afirmou que o presidente não realizou gestos eleitorais para nenhum candidato durante a visita. Ramos declarou que, apesar das divergências, sua candidatura ao Senado está definida e que o PT apoia Omar Aziz para governador, enquanto o MDB mantém Eduardo Braga como candidato ao Senado. Ele ressaltou que o desejo de Braga em integrar a chapa do PT não é uma questão do partido.

Aliados de Omar Aziz e Eduardo Braga avaliam que o PT tenta impor a candidatura de Marcelo Ramos sem ter participado da construção do grupo de apoio ao palanque de Lula no Amazonas nos últimos quatro anos. Eles também apontam que o PT tem pouca influência no estado, onde o bolsonarismo cresceu significativamente. Por isso, a estratégia do grupo é concentrar esforços na reeleição de Eduardo Braga, que lidera pesquisas locais.

Um ex-deputado presente no jantar destacou que, entre os mais de 300 convidados, apenas cerca de dez eram filiados ao PT, evidenciando a fragilidade do partido na região. Além disso, aliados observam que o PT pode vir a ocupar uma vaga no Senado caso Omar Aziz seja eleito governador, já que seu suplente é Cheila Moreira, do PT.

O deputado federal Jilmar Tatto (PT-SP), coordenador do Grupo de Trabalho Eleitoral do PT, reconheceu a complexidade do cenário no Amazonas. Ele afirmou que há resistência de alguns setores em relação ao PT, mas destacou que Marcelo Ramos tem apresentado crescimento nas pesquisas e que a posição do partido é manter a chapa composta por Omar Aziz, Eduardo Braga e Marcelo Ramos.

Contexto

O Amazonas é um estado estratégico para as eleições de 2026, com disputa acirrada para o governo e Senado. O PT enfrenta dificuldades para consolidar alianças locais, especialmente diante da força crescente do bolsonarismo na região. A visita de Lula ao estado teve como objetivo reforçar o apoio político e anunciar investimentos, mas também expôs divergências internas entre aliados. A definição da chapa majoritária é fundamental para a estratégia eleitoral do PT e seus parceiros, que buscam ampliar sua influência no Norte do país.

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