
Apesar da crise gerada por áudio com pedido de apoio financeiro, PL mantém senador Flávio Bolsonaro na corrida presidencial
O presidente do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, declarou nesta segunda-feira (25) que o senador Flávio Bolsonaro segue como pré-candidato do partido à Presidência da República, mesmo após a divulgação de um áudio em que o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro solicita recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar um filme sobre seu pai.
Em entrevista ao Estúdio i da GloboNews, Valdemar Costa Neto afirmou que a candidatura de Flávio Bolsonaro é oficial e que o partido não considera outra opção, descartando inclusive a possibilidade de Michele Bolsonaro concorrer ao cargo. “Ele [Flávio Bolsonaro] é o candidato do [Jair] Bolsonaro e nós vamos até o fim nessa história porque ele vai ganhar as eleições. A Michele está fora de questão. Ela não é candidata à presidência”, afirmou o presidente do PL.
Valdemar revelou ainda que tomou conhecimento da relação entre Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro apenas por meio da imprensa. “Nunca soube; ele nunca falou sobre isso. No dia em que estourou, nós fizemos uma reunião para ver como ele ia responder, e aí ele disse que teve a reunião porque precisava arrecadar dinheiro para o filme do pai”, explicou.
Questionado sobre a origem dos recursos para o filme “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro, e se vê algum problema na utilização de dinheiro do banqueiro Vorcaro, Valdemar destacou que a situação seria diferente se o senador tivesse solicitado valores a bancos públicos como Caixa Econômica Federal ou Banco do Brasil. “Eu fiquei surpreso. Mas acontece que ele queria resolver o caso do banco [Master]. O Vorcaro estava devendo e ele foi falar; não achou problema nenhum em falar com o Vorcaro mesmo nessa situação. Eu acho que se o Flávio tivesse pedido o dinheiro para o Banco do Brasil, para a Caixa Econômica Federal, teria problema, porque seriam órgãos públicos”, afirmou.
Sobre a visita de Flávio Bolsonaro à residência de Vorcaro após a prisão domiciliar do banqueiro, quando este já usava tornozeleira eletrônica, Valdemar minimizou a situação. “O que o Flávio fez é natural, é a coisa mais normal do mundo. Visitar o Vorcaro, que tinha ajudado ele, e terminar a relação com o Vorcaro”, disse, ressaltando a intenção do senador de encerrar qualquer negociação financeira com o banqueiro.
Na mesma entrevista, Valdemar comentou a rejeição do advogado-geral da União (AGU), Jorge Messias, para a vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). Ele acredita que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva indicará Messias novamente, enfrentando resistência do presidente do Senado, Davi Alcolumbre. “No partido, eu até cheguei a dizer que não adianta discutir porque o Lula vai pôr uma pessoa dele e agora nós precisamos ver se o camarada é honesto e é competente, e ele tinha essas duas qualidades, ele não se elegeu por falta de competência do governo”, avaliou.
Valdemar ainda destacou que a insistência na indicação de Messias será uma forma de Lula demonstrar sua capacidade de eleger um ministro para o STF, reconhecendo que a situação ficou complicada para o presidente. “Vai ter que trabalhar e vai ter que fazer isso andar”, concluiu.
Contexto
A polêmica envolvendo Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro ganhou destaque após a divulgação de um áudio em que o senador solicita recursos para financiar a cinebiografia de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Vorcaro, dono do Banco Master, está em prisão domiciliar e enfrenta dificuldades financeiras. A situação gerou questionamentos sobre a origem dos recursos e a relação entre políticos e empresários. Paralelamente, o cenário político nacional acompanha a disputa pela indicação de um novo ministro para o Supremo Tribunal Federal, com o presidente Lula tentando emplacar Jorge Messias, que já teve sua nomeação rejeitada pelo Senado.